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Opinião
17/06/2009 - 17h42
Questão de ordem
Christian Rocha
 

Há muitas maneiras de resolver um problema. A melhor delas é conhecer suas causas. Sem esse conhecimento o problema pode até ser resolvido, mas se as causas não forem eliminadas, o problema voltará, provavelmente com mais força.

Estas afirmações dizem muito a respeito do problema da violência. Não é difícil descobrir as causas da violência. Uma delas é a desorganização do Estado no combate ao crime. O Estado organizou-se bastante para assuntos que considera fundamentais, como alimentos saudáveis em cantinas escolares, a cruzada antitabagista em estabelecimentos privados e as lágrimas da menina Maísa na TV. Enquanto isso, quarenta mil homicídios por ano não são suficientes para tornar o assunto prioridade máxima. Mata-se mais no democrático e malemolente Brasil do que no radical e belicoso Oriente Médio.

Outro fator óbvio que levou ao crescimento da violência foi a organização do crime. A facilidade com que criminosos comandam bairros inteiros em algumas cidades mostra sua capacidade de organização e aumenta a visibilidade do naufrágio do Estado no cumprimento de suas responsabilidades mais elementares. A logística do tráfico de drogas, por exemplo, pode ser algo bem complexo e eficiente. Eu não ficaria surpreso se descobrisse que é mais fácil comprar drogas do que protocolar um pedido numa repartição pública e vê-lo atendido.

Mas o motivo principal para o crescimento da violência é sem dúvida a desorganização da sociedade. O crime não se propaga apenas porque se trata de uma “oportunidade de trabalho” rentável, sedutora e garantida. Há nisso mais questões envolvidas.

Primeiramente, há o esfacelamento dos núcleos de educação moral — a família e a escola. Não quero dizer que a família acabou, mas é evidente perceber as mudanças na hierarquia familiar, a forma como a criança e o adolescente se impuseram sobre seus pais (com o auxílio ishperto de “especialistas” e do próprio Estado), a glamorização da rebeldia e a banalização da delinqüência. Também não quero dizer que toda escola é ruim, mas as falhas do sistema são óbvias. A fraqueza, a covardia e a lentidão ao rechaçar a rebeldia e a delinqüência transmitiram aos jovens duas mensagens importantes: 1) é bom ser rebelde e 2) pais e professores só são bons na medida em que dão espaço para a rebeldia. Nas palavras do filósofo Olavo de Carvalho, a rebeldia juvenil nada mais é do que “amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama”.

Em segundo lugar, a cultura também colabora com a desorganização da sociedade. Se, como se vem repetindo nas últimas décadas, a satisfação pessoal e o sucesso material são valores fundamentais, não haverá problemas em obtê-los a qualquer custo, independentemente de meios, de ética, de moral, até mesmo de vidas. É a cultura, por exemplo, que impede que jovens criminosos sejam punidos como adultos. É a cultura que culpa a vítima e vitimiza o bandido, dando espaço para pérolas jurídicas que condenam a 150 anos, que no papel se transformam em 30 e que na prática não chegam a 10 anos – isto é, quando as penas são cumpridas. É a cultura que defende a liberação do aborto e das drogas, que inventa leis e cotas raciais e sexuais, que afrouxa os valores morais e os substitui por uma pasta rançosa de corrupção generalizada, impunidade, desordem, assassinato e banalização da vida. Em outras palavras, a cultura está aí para dizer que na maioria das vezes o crime compensa e que respeitar a lei e não se desviar do caminho reto é coisa para molóides.

Quando vão perceber que antes de combater as fraudes financeiras, os crimes políticos, o desmatamento, a ocupação desordenada, o desemprego, as instabilidades econômicas, o preconceito e a discriminação é necessário antes que as pessoas estejam vivas e garantir que elas não se matem umas às outras? Quando vão perceber que estar vivo é condição necessária para fazer qualquer coisa pelo bem de uma cidade ou de um país? É tudo uma questão de ordem.


Nota do Editor: Christian Rocha vive em Ilhabela, é arquiteto por formação, aikidoka por paixão e escritor por vocação. Seu "saite" é o Christian Rocha.
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