O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), confirmado pelo ministro Fernando Haddad, da Educação, no início da semana, é uma nova luz a brilhar no caminho daqueles que buscam o ingresso na universidade. Não terá as odiosas e improdutivas "pegadinhas" e nem obrigará o candidato a decorar fórmulas e datas. Mas exigirá conhecimento da matéria ministrada no currículo do ensino médio, como passaporte para a entrada no ensino superior. Mostra-se como algo mais sério do que o processo "decoreba" tão em voga nas provas de seleção. E o melhor é que 42 das 55 universidades federais espalhadas por todo o país utilizarão o Enem como vestibular, algumas transformando-o em prova única, outras combinando-o com o próprio vestibular ou atribuindo-lhe algum peso a hora de avaliar o candidato. Isso abre a porta de muitos candidatos antes excluídos - especialmente os de menores posses - poderem concorrer a vagas de alto interesse e dificuldades, desde que esteja devidamente preparado, sem artifícios nem favorecimento. Décadas atrás, o "chique" era estudar na escola pública, tida como "forte". Nos últimos tempos inverteu-se o quadro e o bom passou a ser escola particular. O ideal almejado é que não haja essa distinção e todos do mercado - público ou particular - tenham competência e, acima de tudo, muito respeito pelo aluno. Esse fosso entre ensino oficial e privado tem de acabar, para o bem de todos nós. Pague anuidade ou estude por conta do governo, o aluno tem de encontrar ensino de qualidade, que o prepare para enfrentar os níveis superiores de educação e, principalmente, o competitivo mercado de trabalho. As escolas, desde o básico até a pós-graduação, têm de ser de alta qualidade, para evitar aquela plêiade de formados que não sabem o quê fazer do diploma recebido. E que, no futuro, nós do povo, venhamos a ser atendidos por médicos, dentistas, engenheiros e outros profissionais sem as necessárias qualificações. Isso também é segurança. O novo Enem é a abertura de um caminho absolutamente necessário para a normalização e o bom encaminhamento do ensino. Se bem aplicado, pode oferecer oportunidades concretas para o candidato melhor preparado ficar com a melhor vaga na universidade e poder freqüentar, inclusive, instituições distantes do lugar onde reside sua família. Para isso existem os financiamentos, as escolas públicas e certamente haverão outras facilidades e modernidades que possam universalizar o ensino e facilitar o acesso àqueles que realmente estudam. Poderá, inclusive, tornar obsoleto o sistema de cotas que, por mais justificado, só serve para potencializar preconceitos e diferenças étnicas, sociais e econômicas. Um país se constrói, entre outras coisas, com boa educação. O Enem é o limiar de um grande avanço para a educação nacional. Tomara que interesses subalternos não venham a prejudicar sua efetiva implantação... Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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