29/08/2025  07h34
· Guia 2025     · O Guaruçá     · Cartões-postais     · Webmail     · Ubatuba            · · ·
O Guaruçá - Informação e Cultura
O GUARUÇÁ Índice d'O Guaruçá Colunistas SEÇÕES SERVIÇOS Biorritmo Busca n'O Guaruçá Expediente Home d'O Guaruçá
Acesso ao Sistema
Login
Senha

« Cadastro Gratuito »
SEÇÃO
Crônicas
19/06/2009 - 14h06
Bolsa família
José Nivaldo Cordeiro - Parlata
 
Crônica do Quinho

Estávamos todos na calçada do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A conversa não podia ser outra, as traquinagens do Senado com seus atos administrativos secretos. Paulo, o economista, era o mais irado:
– Esse Sarney é um pilantra. Deveríamos fazer um movimento nacional de Fora, Sarney! Não tem condições morais nem de ser senador, quanto mais presidente do Senado.
– Desta vez foram longe demais, fazendo atos secretos de governo, algo expressamente vedado da Constituição, falou Antonio, o advogado grandalhão. Esses atos não têm valor jurídico, as despesas que foram pagas por conta deles deveriam ser reembolsadas e os autores, tanto os que autorizaram como aqueles que foram beneficiários, processados criminalmente, inclusive por formação de quadrilha, com o fito de pilhar o erário.
– O que mais me deixou desconcertado foram as declarações de Gilmar Mendes, como se aquilo não dissesse respeito ao STF, falei. Ora, a coisa está diretamente relacionada ao Supremo, o guardião da Constituição. Sarney e seus asseclas foram flagrados em atos de burla à lei maior.
– Vocês erram em querer jogar tudo nos ombros do Doutor Sarney, falou Quinho.
– Lá vem você defender esse pilantra, quase gritou Paulo. Um ladrão, um salafrário, um coronel safado que fez das instituições de Estado letra morta. Fora com esse coronel de fancaria!
– Doutor Paulo, argumentou Quinho com toda calma, existem leis escritas e leis não escritas. Há muitas práticas que são suportadas nos costumes e ninguém ignora isso. Gilmar Mendes, ao relevar, sabe disso. Não pode levar a lei escrita a ferro e fogo, senão fecha o Congresso. Se fechar o Congresso, fecha o STF, vira ditadura. Esse negócio de empregar os parentes faz parte das leis não escritas e o Doutor Sarney, que é membro do poder há meio século, ou mais, sabe que não pode descumprir os acordos políticos envolvendo parentes e cabos eleitorais graúdos. Do contrário, perderia a liderança sobre os senadores. Já que tinha que fazer para os outros, aproveitou para fazer para o seus. A lei de São Mateus, ora bolas. Ninguém pode acusar o Doutor Sarney de ter inventado a prática, ele só a manteve em uso, em nome da governabilidade.
– Não seja cínico, Quinho, isso é um disparate. Descumprir a Constituição é crime grave. Não se pode tergiversar sobre isso, falei.
– Doutor, já viu o tamanho do orçamento que o Congresso aprova todo ano? Que são alguns salários de familiares perto daquela dinheirama toda? Nada. Isso é farisaísmo da imprensa, que ignora as leis não escritas do compadrio político, a verdadeira instituição nacional, que costurou a nossa unidade política.
Paulo não se conteve: “Você está dizendo que essa bolsa família do Sarney sempre existiu? Que é necessária para a manutenção da Federação? Da paz social?
– Precisamente, Doutor Paulo. Se levarem essa pendenga a ferro e fogo teremos uma crise institucional de largas proporções. As oligarquias regionais não aceitarão reduzir essa prática. Teriam que chamar de novo os milicos. Alguém quer isso? Ninguém quer. Cassar o Doutor Sarney é cassar o Senado, percebeu? Algo muito grave. Doutor Sarney é o guardião das instituições. Entre todos os senadores é o mais santo e mais probo.
Todos nós ficamos desconcertados. Claro que o que foi noticiado de práticas nepotistas é uma infâmia. Mas Quinho tinha alguma razão. Política não passa disso, de crime com outro nome. A ironia é que são os criminosos os que fazem e aplicam a lei.


Nota do Editor: José Nivaldo Cordeiro (www.nivaldocordeiro.net) é executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias.

PUBLICIDADE
ÚLTIMAS PUBLICAÇÕES SOBRE "CRÔNICAS"Índice das publicações sobre "CRÔNICAS"
31/12/2022 - 07h23 Enfim, `Arteado´!
30/12/2022 - 05h37 É pracabá
29/12/2022 - 06h33 Onde nascem os meus monstros
28/12/2022 - 06h39 Um Natal adulto
27/12/2022 - 07h36 Holy Night
26/12/2022 - 07h44 A vitória da Argentina
· FALE CONOSCO · ANUNCIE AQUI · TERMOS DE USO ·
Copyright © 1998-2025, UbaWeb. Direitos Reservados.