O mês de junho é bastante lembrado pelas tradicionais festividades em homenagem a santos católicos - as festas juninas - quermesses e arraiais. No entanto, neste período do ano, também é comum o aumento do número de acidentes com fogos de artifício. Segundo dados da Associação Brasileira de Cirurgia da Mão, uma em cada dez pessoas que mexe com estes artefatos sofre lesões mutilantes, especialmente, os dedos. "Os principais responsáveis por estas lesões são os foguetes, principalmente, para pessoas não treinadas", explica o Dr. Heitor José Rizzardo Ulson, cirurgião da mão do Hospital Samaritano de São Paulo e professor de cirurgia da mão no Departamento de Ortopedia da Unicamp. Segundo ele, os acidentes com fogos podem causar queimaduras, lesões de córnea e acidentes mutilantes. "É necessário um trabalho de conscientização dos pais, já que muitas das vítimas dos fogos de artifício são crianças, adolescentes e jovens", comenta. O uso dos foguetes e bombas é especialmente perigoso para as mãos e rosto do manuseador. Além disso, existe o risco do material ser clandestino e de qualidade ruim. "Outra ameaça para a integridade física de quem manuseia fogos é a adulteração de materiais. É comum encontrar pessoas que desmontam dois ou três foguetes para construir uma bomba improvisada de alta potência", alerta o Dr. Ulson. A recuperação de alguém atingido por estes artefatos é prolongada e extremamente difícil, exigindo atendimento de profissionais especializados na reabilitação funcional. Em casos extremos, uma pessoa pode perder até a mão inteira. O manuseio destes materiais deve ser feito somente por profissionais habilitados e a uma distância segura.
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