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Passou-se a época de campanha. Agora é chegada a hora de aqueles que foram agraciados pela confiança dos cidadãos mostrarem que são dignos de tal. A tarefa não é das mais fáceis, para falar a verdade é esse um legítimo trabalho hercúleo a ser empreitado e lhes confesso que não creio que todos os que foram brindados com a vitória sejam capazes de realizar com presteza os deveres que o cargo que ocuparão exige. Tarefa ingrata é a de ser bom homem em meio a tantos maus, nos advertia o pai da ciência política moderna, o florentino Nicolau Maquiavel, mas ainda, mesmo assim, compensadora. Todavia senhores, não confundamos ser bom com ser um iníquo populista que procura justificar a sua inépcia simplesmente com bajulações em nome do dito "povo". Nós, cidadãos brasileiros, dispensamos tais disparates. Exigimos apenas prontidão para com sua consciência moral (se a tiver, é claro) e retidão para com as suas prerrogativas enquanto um poder constituído. Ser um bom legislador oposicionista, não é sinônimo de fúria e de revolta. Falar pelos cotovelos como uma harpia despenada não sinaliza em nada o papel de um bom fiscalizador da forma como o executivo está a administrar o erário público. Do mesmo modo, ser um vereador situacionista em nada se aproxima da imagem de um servil vassalo dos que estão à frente do Paço Municipal. Calar diante da injúria só por fazer parte de um grupo político em nada corresponde à confiança depositada pela população. A obrigação dos distintos Edis não é o de pura e simplesmente insultar o Prefeito e muito menos ser-lhe um vassalo, mas sim, o de ser os olhos da Lei e a voz da justiça. Se isso significar ser impopular, que assim seja. Se isso significar romper com as regras presentes em nossa cultura política, que assim se faça. E se isso significa ser uma voz dissonante em meio a essa tardia Boulé nada helênica que se cumpra então os desígnios aos quais lhe foram investidos. Entretanto, se vossa senhoria é daqueles devotos discípulos de Ademar de Barros, o homem do "rouba, mas faz", se você é daqueles que acredita que o legislativo é apenas um dos tentáculos do executivo para assim poder fazer a manutenção do poder ou, daqueles que adora falar grosso e esmurrar a tribuna sem saber bem ao certo o que está a dizer, sinto muito, mas você se candidatou para o cargo errado e a fatia da população que o escolheu para a referida ocupação, enganou-se em seus critérios.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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