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Opinião
26/06/2009 - 05h49
A crise veio para ficar, se acostume com ela
Alberto Brumatti Jr.
 

Há alguns anos, o mercado como um todo demonstrava um fortalecimento e crescimento aparentemente sustentável. No entanto, no ano passado, mais precisamente no quarto trimestre, ele simplesmente ruiu com a deflagração da crise imobiliária norte americana. O pior é que ocorreu com uma economia que sempre foi vista por todos como sólida. Ou seja, tudo em que o mercado acreditava mostrou-se frágil demais.

Antes mesmo dos efeitos da turbulência global aportarem por aqui, o Brasil começou a ter sinais de crise psicológica. Houve um medo imediato de que tudo começasse novamente a andar para trás. Medo este justificável para quem já viveu problemas como inflação galopante e outras crises que geraram intermináveis recessões. Só de ouvir falar em crise, nossos economistas e analistas ficam todos arrepiados, isso sem falar nos investidores, grandes e pequenos. O efeito psicológico foi devastador. Adiou investimentos, acelerou reestruturações e paralisou diversos setores. Em vão, pois vemos hoje que o bicho não é tão feio assim.

Mas a verdade é que, mesmo tendo uma intensidade menor do que imaginávamos, estamos longe de ficar livres dela. O que fazer então? Se acostumar. Isso mesmo. Na hora em que os mercados, empreendedores e investidores encararem a crise como algo rotineiro – que faz parte do jogo – não perderemos tanto com ela. Ao contrário, ganharemos.

A crise veio para ficar – em grande parte nas nossas imaginações – e ainda será protagonista dos noticiários por muito tempo. Quando os empresários e investidores perceberem que, se não houver retenção de investimentos, poderão trabalhar para aumentar as receitas e não cortar custos e despesas, a crise psicológica terá terminado. Em tempos de crise sempre acontecem mudanças, que geram novos produtos e serviços, acendem outros mercados e oportunidades. Mas é necessário estar atento.

Investir em treinamento, ao invés de demitir. Pesquisar novos campos de atuação, ao invés de restringir investimentos. Incentivar os funcionários e não aterrorizá-los com ameaças de dispensas. Todas essas são atitudes que, durante a crise – ao contrário do que muitos pensam – não levarão a empresa à falência. Muito pelo contrário, isso mostrará as oportunidades de crescimento que estes momentos oferecem.

Tudo isso exige muito mais trabalho e dedicação do que quando o vento está soprando a favor. É necessário remar, agregar colaboradores, definir objetivos e rumar para o lado certo. Se o desempenho é bom durante a crise, quando ela realmente terminar, ele será melhor ainda. Se compararmos com o esporte, é como quando os nadadores treinam com luvas e botas (específicas para isso) pesadas. Quando tiram, se sentem leves e fazem os seus melhores tempos. Isso tem dois efeitos: fortalece a musculatura local e dá a sensação de estar mais leve – este último, puramente psicológico.

Ou seja, atitudes positivas durante a crise podem fortalecer as estruturas da empresa e gerar mais confiança e um clima positivo para todos.

Claro que exige um grande esforço, mas se o desempenho durante a crise for bom. Sem ela será melhor ainda. A receita é aceitar os efeitos desta turbulência e se acostumar com eles. Desta forma, os impactos serão menores. Nenhum vento está a favor se não sabemos para onde queremos ir. Não há fórmula pronta. O que existe é empreendedorismo, vontade de crescer e alavancar novos negócios. Este é o verdadeiro remédio para a crise. A necessidade gera criatividade. Nada mais atual e pertinente do que aquela velha história: na crise há os que choram e aqueles que vendem lenços.


Nota do Editor: Alberto Brumatti Jr. é economista e diretor da Crowe Horwarh RCS.

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