A Fúria, como é conhecida a seleção de futebol da Espanha, chegou à África do Sul como favorita ao título da Copa das Confederações. Depois de uma arrasadora e encantadora Eurocopa no ano passado, os espanhóis mantiveram campanha irrepreensível, chegando à marca de 15 vitórias seguidas, recorde entre as seleções de todo o mundo. Com um currículo desses, até mesmo o técnico-anão brasileiro Dunga admitia que seria difícil batê-los. No entanto, a duras penas, a Espanha conseguiu o terceiro lugar ao superar a África do Sul na prorrogação. Antes, havia caído na semi para um eficaz time norte-americano que chutou duas vezes a gol e acertou as redes em 100% das tentativas. A Fúria não é a primeira a decepcionar depois de conquistar o título europeu. Em 2004, a Grécia bateu Portugal, sagrou-se campeã européia pela primeira vez na história e, um ano depois, na Copa das Confederações, ficou em último lugar do grupo na fase de classificação, amargando duas derrotas, um empate e sem permitir que sua torcida pudesse gritar gol sequer uma única vez. Além disso, ficou fora da Copa do Mundo de 2006. Em 2000, a França de Zidane conquistou a Eurocopa. Dois anos depois caiu na primeira fase da Copa do Mundo, com campanha idêntica à da Grécia na Copa das Confederações comentada acima, numa das maiores vergonhas na história dos Mundiais. Na Copa do Mundo de 1996, o mico da coube à campeã Alemanha, que perdeu para a Croácia nas quartas-de-final. O futebol não é único esporte a ter a maldição do título europeu a rondar os campeões nos torneios internacionais subsequentes. A Espanha também derrapou no voleibol após a seleção masculina conquistar o Campeonato Europeu em 2008 e ficar de fora dos Jogos Olímpicos de Pequim no ano seguinte, após fracassar em três torneios classificatórios. Coincidentemente, a exemplo do que aconteceu com o futebol, os técnicos que levaram os espanhóis ao título continental não continuaram após a conquista. Seria coincidência? Ou o amarelão é parte do inconsciente coletivo? No vôlei feminino, a Polônia já foi campeã do velho continente duas vezes seguidas, em 2003 e 2005. Entretanto, o bicampeonato não garantiu sequer lugar honroso nos torneios internacionais que se seguiram. Não conseguiram se classificar para os Jogos Olímpicos de Atenas de 2004 e no Mundial de 2006 amargaram o 15º lugar. A Itália de Aguero e Piccinini também reinou na Europa em 2007, mas não passou das quartas em Pequim. Eis um bom prato para teóricos, místicos, numerólogos, debatedores de mesas de bar, astrólogos, psicólogos, sociólogos, estudiosos dos mistérios do esporte. Que maldição se abate sobre os campeões do berço da civilização ocidental? Teria o complexo de vira-lata rodrigueano migrado para o berço da civilização ocidental com a nova realidade global? Nota do Editor: Cacá Bizzocchi (bizzocchi@photoegrafia.com.br) é técnico de vôlei, professor de Educação Física, jornalista, comentarista da BandSports e colaborador da Photo&Grafia Comunicação.
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