Como disse anteriormente, Sarney é um aliado do qual Lula não pode prescindir, portanto, operou para que ele fique onde está. Sarney ofereceu a fatura de sua renúncia a Dilma. Sim, renúncia, o ex-Presidente não pedirá licença do cargo. A ministra da Casa Civil entendeu o recado. Há muito em jogo e Sarney é o fiel da balança que assegura apoio do PMDB para sua candidatura presidencial e para a estabilidade do governo no Senado, vide CPI da Petrobras. Assim, o PT, que num arroubo ético, havia tomado posição pelo afastamento de Sarney, subitamente mudou de opinião e passou a defender sua permanência. Missão dolorosa dada por Lula a Mercadante. Afinal de contas, manda quem pode, obedece quem tem juízo. Em caso de renúncia de Sarney (sim, ainda cogita-se essa possibilidade), os nomes que circulam pelo Congresso como seus prováveis sucessores (oriundos do PMDB) seriam: Romero Jucá, Hélio Costa, Edison Lobão ou, em último caso, Garibaldi Alves (sim, ele de novo). Enquanto isso, a tropa de choque de Sarney continua trabalhando por sua manutenção no cargo: Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Gim Argello e Wellington Salgado. Agora com o apoio dos cardeais do PT liderados por Mercadante, Ideli e Berzoini. Confesso que bom mesmo seria ver Simon presidindo o Senado, mas preferências todos podemos ter. Na verdade mesmo, o governo não pode abrir mão de ter Sarney capitaneando o Senado. No máximo, em caso remoto de concretização da renúncia, alguém intimamente ligado a Sarney deve ocupar seu lugar e o PT sabe que o preço a pagar por esta manobra seria alto demais. Resta saber quanto o PT está disposto a barganhar pelo apoio do PMDB à candidatura Dilma. Isto é só o começo. Nota do Editor: Márcio Chalegre Coimbra é analista político, editor-chefe do site Parlata, desde 2003. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos, com passagens acadêmicas pela FGV, UFRGS, Unisinos e Harvard Law School. Possui experiência internacional com passagem pela Fundación FAES e o Partido Popular em Madri, Espanha e como analista-chefe do Hayek Institute em Viena, Áustria. Nos Estados Unidos trabalhou com o Leadership Institute e o Partido Republicano. No Brasil trabalhou como consultor na Patri e como Diretor na Governale, atendendo clientes nacionais e internacionais. Como Professor, na Universidade Católica de Brasília e no UniCEUB, orientou pesquisas na área de relações governamentais e internacionais Autor da obra "A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos Brasileiro e Norte-americano", Ed. Síntese - IOB Thomson. Responsável pelo Blog Diários da Política (marciocoimbra.blogspot.com).
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