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SEÇÃO
Crônicas
08/07/2009 - 17h16
Variações sobre um tema instigante
Roberto Fraga
 

Às vezes, quando nos mostram um bonito sorriso, invariavelmente concluímos que a pessoa deve ser muito feliz e que tenha tudo sob controle. E por que pensamos assim? Pelo simples fato de que, quase sempre, julgamos os outros pela aparência que possam ostentar.

Aos nossos olhos, uma bela imagem sempre estará associada a alguém que seja bem sucedido, com muitos amigos e com uma vida maravilhosa pela frente. E não estaremos de todo errados, já que, na maioria dos casos, é assim mesmo que funciona.
 
E tudo isso porque a sensação de olhar algo que nos seja agradável aos sentidos é imediatamente repassada ao cérebro que a analisa e aciona, imediatamente, os sentimentos prazerosos que acabam tornando aquele momento por vezes inesquecível para nós.

É bom sentirmos percepções agradáveis, já que elas dão sentido à vida, permitindo que tenhamos disposição para o enfrentamento das adversidades a que estaremos sujeitos no rumo à procura da felicidade. Mas a saciedade dos nossos instintos só nos será benéfica a partir do momento em que saibamos discernir o que, realmente, possa contribuir para o nosso crescimento interior.

Nem sempre a primeira avaliação acerca de uma imagem visualizada é correta, muito embora nossos sentidos possam continuar nos dizendo que seja. Afinal, é muito mais fácil agirmos dessa forma. Não diz o ditado que “A primeira impressão é a que fica?” Para que contrariar o que já está solidamente enraizado na percepção visual que as pessoas têm das coisas belas do mundo? Não somente dos próprios seres humanos, como dos animais, das plantas, das paisagens etc.

Não há nada de errado em se apreciar o belo, desde que não nos restrinjamos somente a esse aspecto específico. Mas sabemos que ficaria difícil modificar uma visão contemplativa já consagrada pelo ser humano através dos séculos evolutivos pelo quais já passou. Afinal, torna-se muito mais prático seguir a multidão do que se virar contra ela. E para muitos não se trata apenas de uma mera questão estética, mas, sim, de uma compreensão do que seja bom senso e sensibilidade.

Mas até onde podemos aceitar este procedimento? Por que agimos assim? Quando foi que essa tendência se materializou em nossos costumes? O que levou os indivíduos a adotarem essa visão egoísta e preconceituosa em relação aqueles não agraciados com a dádiva da bela aparência pessoal? Por acaso teriam eles culpa pelo descaso da natureza em deixar de proporcionar-lhes um pouco de charme e sex appeal?

No nosso modo de enxergar o problema, existe uma estrita correspondência entre a aparência e as demais qualidades do ser humano, já que ela (a beleza) desfruta do melhor conceito dentro dos parâmetros que criamos para definir o que nos seja agradável de olhar. Os próprios filósofos gregos a tinham em grande conta, e chegaram mesmo a dizer que as pessoas belas eram intrinsecamente boas e que, por serem bonitas, seriam também virtuosas e merecedoras de toda deferência.

O culto à beleza, portanto, é uma constante em nossas vidas, dignificando e exaltando todo aquele que tiver o privilégio de a possuir. Mesmo aquele indivíduo que, embora bonito, não seja partícipe da elite conservadora, terá acesso imediato a todas as facilidades que a vida lhe possa oferecer, eis que a aparência abrirá todas as portas e lhe permitirá efetuar essa transição sem maiores traumas, permitindo que enfrente e supere os obstáculos contando, principalmente, com sua áurea de harmonia e perfeição estéticas.

A concepção da feiúra, dentro desse conceito equivocado, passaria então a ser o estereótipo depreciativo que acompanharia os seus portadores até o limite de suas próprias convicções, acerca do espaço que lhes caberia ocupar num universo dominado pelo culto a aparência física dos indivíduos, em detrimento dos valores morais e intelectuais que, eventualmente, poderiam ser detentores.

Dentro desta visão, fica patente que: ou muda o homem a sua percepção do mundo que o cerca, ou arcará com os tardios efeitos nefastos do seu modelo estético discriminatório do que seja, efetivamente, relevante em sua caminhada rumo ao pleno conhecimento de suas próprias e verdadeiras convicções.


Nota do Editor: Roberto Fraga  é do Rio de Janeiro, RJ (www.robertofraga.recantodasletras.com.br).

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