Há cerca de 400 anos o planeta Terra era considerado o centro do universo e acreditava-se que o Sol girava em torno dele e não o contrário, como sabemos na atualidade. Outro conceito que vigorou até o início do século XIX era de que o nosso planeta somava aproximadamente seis mil anos e que todas as espécies de vida, inclusive os seres humanos, eram imutáveis e teriam surgido prontas. Com base nesse pensamento, muitas questões ficaram sem resposta ou receberam explicações sem nenhuma comprovação científica, algumas chegando a ser hilárias de tão absurdas. Uma das justificativas estapafúrdias para o desaparecimento dos dinossauros e de outras espécies de animais, por exemplo, era a de que esses seres não puderam se salvar do dilúvio porque não couberam na arca de Noé. Somente a partir de 1859, com a teoria sobre a origem das espécies, elaborada e desenvolvida pelo naturalista inglês Charles Darwin, é que os estudiosos passaram a ter coragem para falar abertamente sobre o processo evolutivo dos seres vivos a partir de um ancestral em comum, e também sobre a multiplicação das espécies pelas mutações, e sobre a contínua trajetória evolutiva promovida pela seleção natural. Todavia, Darwin não considerou a natureza do homem em sua essência espiritual, o que constitui a grande lacuna de sua teoria. Muitos outros estudos nesse sentido foram realizados desde então, mas apesar de todo o conhecimento acumulado, ainda hoje, em pleno século XXI, não contamos com uma explicação satisfatória sobre a origem da humanidade. Ainda persistem perguntas como: Quem somos nós? De onde viemos? Qual o sentido da existência? Para onde vamos? As diferentes religiões procuraram fornecer as respostas para essas questões numa tentativa de religar o homem à sua essência cósmica. Documentos reverenciados como a Bíblia trouxeram esclarecimentos sobre a origem e o desenvolvimento progressivo do ser humano sob a abordagem espiritual, distanciando-se do plano grosseiro da matéria e, portanto, da teoria científica. De outra parte, os cientistas buscaram explicar a origem humana a partir dos meios materiais e, com isso, se enredaram em incoerências e em pontos obscuros, sem conseguir encontrar a luz do saber. O fato incontestável é que o planeta Terra foi estruturado para que surgissem as necessárias condições para a vida humana possibilitando a penetração e o desabrochar do germe espiritual na Terra. No entanto, desconhecemos o que, ao longo dos anos, teria levado o homem a fazer as escolhas que fez, que acabaram transformando o mundo em um lugar perigoso para se viver. E a cada ano que passa, as condições de vida se tornam mais difíceis. Estamos caminhando para a insustentabilidade do planeta, ao ultrapassarmos o consumo em mais de trinta por cento de sua capacidade de reposição. Água potável e alimentos tendem a se tornar insuficientes. Urge um despertar geral para a busca do elo perdido e a compreensão do real significado da vida. É chegada a hora de preencher as lacunas do conhecimento. Para tanto, cientistas, religiosos, empresários e políticos, assim como todos os habitantes da Terra, deverão despojar-se de seus dogmas e fanatismos, para buscar o conhecimento que levará à construção de um mundo melhor, com paz, felicidade e verdadeiro progresso. Nota do Editor: Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida.
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