Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. A corrupção não emana do povo, nem em nome dele pode ser exercida. A corrupção é prática mafiosa, ilegal. Pode-se dizer que os corruptos são as infecções da democracia, dos poderes. Os políticos corruptos são os grandes ladrões dos poderes constituídos que fazem a lição para os pequenos ladrões de rua. O corrupto vende a lei por qualquer preço. A corrupção torna os poderes fracos, debilitados. Um bicho qualquer, pode derrubar um governo corrupto, porque este não tem respaldo para a necessária mobilização popular nas ações administrativas de campanhas sociais. E aí “o bicho pega”. Uma questão fica sempre no ar: Como surgiu a corrupção? Surgiu do indivíduo sem moral ou de organizações sem ética e sem moral? É claro que a formação ética individual tem a ver com a corrupção, mas ela surgiu mais das organizações, governamentais ou não, ou, mais precisamente, dos poderes políticos formados por homens sem hombridade, sem caráter, sem moral nem ética, sem vergonha, como se diria numa expressão mais popular. O enfraquecimento dos poderes é a causa maior da corrupção. O bom político, salvo algumas exceções, só irá surgir de uma nova escola, daquela que terá que nascer na primeira série das escolas, depois de uma revolução no ensino e na educação, daquela que não irá se preocupar tanto com a educação física, mas que terá uma disciplina que irá ensinar o jovenzinho e a jovenzinha a amar a si próprio, a amar a Deus e a Família, mas amar a Pátria, como berço de uma Nação que respeite as tradições, que cultue o passado, que saiba viver o presente com perspectivas do futuro, mas que aprenda não só a amar, mas a odiar algumas coisas, principalmente odiar a corrupção como inimiga da sociedade. A corrupção política nasceu sim da desarmonia entre os poderes, da disputa ou jogo de poder entre os próprios poderes, ou entre os Partidos Políticos. Houve tempo em que havia supremacia do Poder das Câmaras Legislativas Municipais, que podiam criar as leis, executa-las e julga-las. Depois a supremacia foi do Executivo, e por último, do Judiciário, que passou a ser soberano, porque composto por profissionais do direito. O Poder Judiciário se tornou um Super Poder. Era a última esperança, para se consertar tantos erros, vindos da inexperiência de parte da serventia pública, ou dos que foram eleitos para elaborar ou executar as leis. O problema é de alguns homens formados em direito que também se entortaram, passaram mais a se ligar nas políticas executivas e legislativas e se distanciaram das discussões acadêmicas do direito como instrumento da organização política e social. Muitos juízes rezam para que apareça um advogado que saiba dizer o direito com poucas palavras, preferem a petição sintética do que a analítica, porque não tem mais tempo para leitura, tal o acúmulo de serviço. Assisti o drama de juízes que quase perderam a família, não dedicaram tempo à esposa e aos filhos, dando preferência para a causa pública, nos processos que se empilhavam na mesa do Fórum e até de sua casa de residência e que consumiam seus dias e suas noites. Também fui um desses funcionários que trocou a causa pública pela qual me apaixonei, desprezando outros valores. O prêmio não foi dos melhores. Hoje em dia, o sistema complicou a vida de todos que pensam pelo lado da Justiça Social. A corrupção atrapalha bastante, e percebe-se que por conta disso nenhum governo é mais democrático. O cidadão não consegue exercer um só direito de suas prerrogativas constitucionais e vive brigando em filas e em repartições públicas, como se não tivesse direito algum. Alguns governantes se preocupam mais em como administrar os loteamentos do Poder entre os diversos Partidos, administrar os condomínios da corrupção, do que propriamente os direitos individuais e sociais. A nação brasileira tem medo de oposição política, mas, as vezes, o opositor de coisas erradas da política pode ser um líder ou até um apóstolo que faz a oposição porque vê no governo alguma opressão ou injustiça. Tem pessoas que tem medo de ser opositor político, por causa das represálias. Isso é seqüela do coronelismo. Os governantes tem que ter preparo para o exercício democrático, sabendo administrar as oposições sem represálias, porque elas são o indício da mobilização social, necessária ao desenvolvimento. Governar não é só promover o progresso e a justiça social; é também saber administrar e conciliar as opiniões oposicionistas. Quem não gosta de oposição são os ditadores, porque só sabem governar sem críticas, sem reclamações, sem mobilizações populares ou sem o povo. As comunidades nos Municípios tem medo de oposição política, temendo retaliações, e se acovardam no aconchego das situações governamentais, acovardando-se também no palco do exercício democrático, onde a oposição equilibrada promove o desenvolvimento cultural, social e político, construindo e defendendo os valores e os interesses coletivos da comunidade e da Nação. Não sabem esses indivíduos que as retaliações ou as represálias só ocorrem quando se trata de um esforço isolado, mas quando se forma um grupo de oposição às coisas erradas não há político ou governo que resista, e tudo pode ser mudado, porque o político ou o governo, na medida do possível, cede à pressão, quando é social e bem dirigida no sentido do Bem Comum. Ninguém pode ter medo de fazer oposição às coisas erradas dos governos ou dos governantes, senão geraremos o caos social e político, e, nesse contexto, a corrupção aproveita e ganha o jogo. Nota do Editor: Claudionor Quirino dos Santos é Bel. em Ciências Sociais e Advogado.
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