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Opinião
26/07/2009 - 10h07
O inferno das boas intenções
Rodrigo Constantino
 

Eu acredito na boa intenção de Frei Betto, assim como acredito que o presidente Lula realmente está preocupado com a justiça no caso Sarney, e não com seus próprios interesses. Sou um homem de fé. Dito isso, podemos julgar então os argumentos de Frei Betto no artigo “Fome de Justiça”, publicado em O GLOBO, assumindo que ele realmente deseja combater a fome no mundo.

Frei Betto afirma que os famintos no mundo aumentaram “devido à expansão do agronegócio, cujas tecnologias encarecem os alimentos”. O leitor acompanhou a lógica? O aumento do agronegócio aumenta a fome! Ou seja, mais produção de alimentos produz mais fome. E os avanços tecnológicos aumentam os preços dos alimentos. Ou seja, se a agricultura utiliza máquinas modernas para produzir mais grãos por hectare, então isso aumenta os preços dos alimentos. Mais oferta = preço maior!

Para ele, a solução está na agricultura familiar, aquela que precisa de subsídios do governo para sobreviver. A Cargill e a Bunge representam o grande inimigo a ser combatido. Pá e enxada nas mãos de membros do MST, eis a solução para a fome no mundo! O Zimbábue de Mugabe que o diga...

Para não ser injusto com o Frei, ele ataca as políticas protecionistas e as barreiras alfandegárias dos países do G-8. Difícil é conciliar esse ataque ao mercantilismo com a defesa das bandeiras esquerdistas. Por que Bovè, ícone desse protecionismo, é adorado pelos esquerdistas do Fórum Social Mundial? Seria um caso de esquizofrenia?

O capitalismo liberal condenado pela esquerda é justamente o oposto do mercantilismo, e nos países mais capitalistas, a fome passou longe. Latifúndios, que deveriam ser um “crime de lesa-humanidade” para o Frei, assim como a “especulação dos preços dos alimentos” e a “apropriação privada da riqueza”, representam justamente a receita para o problema da fome. Frei Betto pretende acabar com a fome matando as galinhas dos ovos de ouro!

A esperança em um futuro melhor não seria vã, segundo Frei Betto, se aqueles que não passam fome tivessem “fome de justiça”. O problema, como fica claro, é que essa “fome de justiça”, sem um conhecimento adequado de economia, acaba produzindo mais fome ainda. O inferno está cheio de boas intenções. E eu acredito na boa intenção de Frei Betto...


Nota do Editor: Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças no IBMEC, trabalha no mercado financeiro desde 1997, como analista de empresas e depois administrador de portfólio. Autor de dois livros: Prisioneiros da Liberdade, e Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT, pela editora Soler. Está lançando o terceiro livro sobre as idéias de Ayn Rand, pela Documenta Histórica Editora. Membro fundador do Instituto Millenium. Articulista nos sites Diego Casagrande e Ratio pro Libertas, assim como para os Institutos Millenium e Liberal. Escreve para a Revista Voto-RS também. Possui um blog (rodrigoconstantino.blogspot.com) para a divulgação de seus artigos.

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