Como eu gostaria de morder a língua, pelas verdades que estou afirmando, se logo em seguida ocorresse exatamente o contrário do que havia dito ou pensado. Pois é, isso que eu rezo e espero que aconteça. A psiquiatra americana Jacqui Lee Schiff, através de estudos caracterizou o distúrbio psicológico chamado Síndrome da Passividade. Partindo do principio de que uma pessoa saudável reage adequadamente aos desafios da vida, procurando resolvê-los eficazmente. Ao fazer o contrário, ignorando o problema, distorcendo a sua dimensão ou não buscando uma solução por não se sentir capaz caracteriza-se assim a doença. Doentes, temos assistido confortavelmente instalados as denúncias pela imprensa do carnaval de maracutaias e negociatas realizadas por políticos corruptos que culpam terceiros pelos seus atos ou afirmam que não tem nada haver com que foi praticado. Assistimos calados, aos escândalos da manipulação politiqueira do orçamento e o uso eleitoreiro dos recursos, e o retorno quase nulo de serviços, pois cobra-se imposto de primeiro mundo em contra partida presta-se serviço de república de bananais. Chegamos ao absurdo de reelegermos figuras corruptas, que no dito popular é o ‘me engana que eu gosto’. Sabemos quem são os malfeitores deste país. Sabe-se como proceder para puni-los, e não fizemos nada e as coisas continuam sempre como antes. Que triste maldição que assola nosso país, que cega nossa gente através da submissão. Onde estão aqueles jovens estudantes que no ano de 1992, pintaram o rosto de verde e amarelo e coordenaram o impeachment do presidente Fernando Collor, acusado de cometer crimes como enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influencia? Nosso grande desafio é fazermos que a população se manifeste e não aceite as falcatruas destes maus políticos, que agridem a ética através de condutas e de práticas que são verdadeiros casos de polícia. Nota do Editor: Ronaldo José Sindermann (sindermann@terra.com.br) é advogado em Porto Alegre, RS.
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