Também... pô... que idéia de jerico essa minha; sair do Rio de Janeiro rumo a Rio das Ostras em véspera de feriado prolongado. Não tem problema - pensei - tô passeando mesmo... ainda que demore umas quatro horas vale a pena; amanhã cedinho estamos na praia. Em cima do elevado, perto do cais, a coisa piorou, tudo parado, dava pra ver a ponte Rio-Niterói congestionada. Meio-dia... a rádio JB avisava: - Hoje é o dia mais quente do ano, 42 graus à sombra. Que sombra... cara-pálida... deve ser lá na Floresta da Tijuca. Neste calor “banguense” deve estar uns 50 graus. - Pai tô com fome... - E eu com sede... - Quero fazer xixi... - Para de perturbar suas irmãs, Alexandre! - Tira o dedo da boca Érika! - Fica quieta Vanessa! Você não está num playground. - Tô com fome... Tô com fome... Tôcumfome!... Tôcumfome!... Tôcumfome! - Não quero mais fazer xixi... já fiz... - Mulher... abre o mapa do Guia Quatro Rodas e bota essa criança sentada em cima de Belo Horizonte, tá molhando o banco do carro (falei criança pra não identificar quem foi que fez xixi). - Ô rapaz!!!... Ô rapaz!!! (na verdade eu disse “ô neguinho”, mas hoje a Lei Afonso Arinos me pega) quanto é a água mineral? - Cinco “real”, chefia!!!, se levar trêish eu faço por deish. - Isso é um assalto. - “Dotô”, assalto é lá na frente, aqui os “bandido” não vem, eles não tem como fugir. - Me dá cinco garrafas. - Como o freguês é gente fina; vou fazer por vinte “real” e ainda dou uma “de grátis”, tenho que arranjar dinheiro pra ver o “Fra-Fru” no domingo. - Valeu... aqui os vinte... crianças... peguem a água e fiquem quietos... - Carrão hein? Patrão... Fiat 147... “Praca” de Brasília... O “doto” é deputado? - Não... sou senador... senador José Sarney - disse tentando fazer graça. - Quase não reconheci o senhor sem bigode... - É que eu tirei o bigode pra curtir as férias. Mulher... faz essas crianças ficarem quietas!!!, devia ter deixado todo mundo com dona Kyola... vontade de mandar os três pra casa do Calhau. - Na TV “vossa excelença” parece mais velho. - É que passei “Crecin”. Esses são meus filhos, Zezinho, Fernandinho, Roseaninha e a minha mulher Marly. - Prazer “madama”... Cróvis Ferreira às suas “ordem”... Olá crianças... Esses “menino” tem cara de danados... hein?! Dr. Sarney... vão dar muito trabalho pro senhor. - Nem me diga... - Me desculpe de novo Zé Sarney, mas já que somos velhos amigos, não dá pra me arrumar uma boquinha no Senado? - Claro... tô precisando de gente nova mesmo... me procure no meu escritório aqui no Rio na semana que vem, você sabe o endereço? - “Craro” - Até logo... os carros começaram a andar... e dentro do carro todo mundo segurando o riso...
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