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Opinião
25/10/2004 - 17h12
Você já meditou hoje?
Christian Rocha
 

Para algumas pessoas a palavra "meditação" traz à mente a imagem de um mestre yogue sentado em posição de lótus, sobre uma esteira de pregos entoando o mantra "Om". Fios de fumaça de incenso preenchem o espaço ao redor do mestre, que permanece estático e sereno, com os olhos entreabertos.

Outra imagem possível é a do mestre de artes marciais. Neste caso talvez mude o lugar - antes um ashram, agora um dojo -, mas a imagem pétrea do mestre em meditação é a mesma do yogue. Além do lugar, há diferenças nas ações que os dois mestres realizam antes e depois da meditação, mas não há diferenças no modo como a meditação atuou sobre cada uma dessas pessoas - corpo, mente e espírito - e suas atividades.

A resistência que muitas pessoas têm à meditação está na dificuldade que têm para produzir imagens ocidentais para essa palavra. Por exemplo, tente associar "meditação" a uma dona-de-casa, a um balconista de um bar ou a um professor universitário. Imagine cada uma dessas pessoas acordando 30 minutos mais cedo e sentando em seiza ou lótus para respirar conscientemente.

Escreve-se exageradamente sobre meditação (eis-me aqui...), pratica-se muito pouco. Quando a tecnologia e a lógica econômica do ocidente chegaram ao oriente, não me lembro de ter visto japoneses questionando o assunto. Absorveram-nas da melhor forma possível e adaptaram-nas conforme sua própria natureza.

Quando a meditação chegou ao ocidente, os ocidentais não perceberam as ligações estreitas entre, por exemplo, a oração (talvez a meditação ocidental mais popular do mundo) e a meditação zen e yogue (as práticas meditativas orientais mais difundidas no ocidente), tampouco foram capazes de perceber a universalidade dessas práticas, eliminando seus rótulos ocidentais ou orientais. Muitos daqueles que meditam diariamente são incapazes de se libertar da aura oriental que deu origem a essas práticas. Perdem, com isso, a possibilidade de interiorizar a prática, experimentando benefícios mais profundos, e tentam, ao contrário, "orientalizar-se" conforme avançam na prática.

Isso não constitui um problema grave, desde que a pessoa seja capaz de perceber sua verdadeira natureza e perceber até que ponto a orientalização condiz com aquilo que ela já carrega dentro de si. É interessante, portanto, perceber a influência simultânea desses dois pólos sobre si mesmo, já que somos universais muitos antes de sermos ocidentais.

Neste sentido, a meditação torna-se uma prática importante para todo ocidental, na medida em que o fará perceber um lado desconhecido de sua própria existência. A prática é simples, consiste em respirar conscientemente, relaxar o corpo sem permitir que esmoreça, manter a mente descansada mas atenta. Embora simples, estas coisas são difíceis para o ocidental acostumado a brigar consigo mesmo, a resolver os assuntos do corpo com a força física, dietas e musculação, e os assuntos da mente com preocupação, nervosismo e voz alta. E, embora eu não conheça o modo de vida de um oriental típico, acredito que a ocidentalização lhe seja benéfica, na medida em que também mostrará um lado seu que lhe é desconhecido.

A meditação não é um assunto esotérico, mas um meio de tornar sua existência mais saudável e completa.


Nota do Editor: Christian Rocha vive em Ilhabela, é arquiteto por formação, aikidoka por paixão e escritor por vocação. Seu "saite" é o Christian Rocha.
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