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Opinião
27/10/2004 - 08h17
Perguntas irrelevantes
Dartagnan da Silva Zanela
 

Quando nos detemos no estudo das Sagradas Escrituras judaico-cristãs e, muitas das vezes, quando procuramos contextualizar historicamente as passagens desta, acabamos por levantar algumas indagações dispensáveis para compreensão de seu conteúdo místico-religioso. Tais perguntas seriam como, por exemplo: Jesus Cristo existiu realmente? Ele realmente caminhou por sobre as águas? Elias ascendeu aos céus em uma carruagem de fogo? E por aí segue o andor.

Afirmamos isso, pois tais indagações não surgem de uma preocupação com a simbologia Sagra destes escritos, mas sim, de se comprovar historicamente que tal e qual acontecimento realmente ocorreram e de que modo esses procederam. Se fulano realmente existiu como atesta as linhas da Bíblia não ajuda muito na compreensão dos mistérios da fé.

Mas como isso? Como que um homem de ciência pode afirmar isso? Simples: essas perguntas surgem da preocupação de se questionar a validade da Bíblia, e não de compreendê-la em seu sentido místico. Como assim? Bem, nós no ocidente, temos uma maneira de pensar "racionalista", "histórica". Só tem validade aquilo que "realmente" aconteceu e que se possa comprovar.

Todavia, se procurássemos ver todas as Sagradas Escrituras de todas as grandes tradições religiosas e procurássemos lê-las com um olhar oriental, pouco estaríamos nos preocupando com a existência real de fulano ou sicrano, pois isso, para uma compreensão religiosa é o que menos importa. O que é relevante seria o significado que tal e qual parábola quer nos revelar e ao que e de que forma quer nos religar ao Absoluto.

Nesse sentido, pouco importa se Sócrates, Buda, Maomé, Lao Tse e Cristo Jesus realmente existiram no sentido histórico, mas sim, o que significam os ensinamentos atribuídos a eles. Mesmo que eles nunca tenham colocado os pés no solo deste mundo, a influência que as imagens, símbolos e palavras atribuídos a eles se fizeram e se fazem tão presentes na vida das pessoas que em si ganharam estatuto de realidade e perenidade. E, creio eu, compreender essa realidade perene que resiste aos milênios e aos ataques da laicização modernizante dos dias contemporâneos seria uma questão muito mais interessante do que provar se beltrano ou cicrano nunca existiram, apesar de viverem nos corações de bilhões de pessoas e darem sentido as suas existências.


Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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