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Em 2005, uma grave doença, o câncer bucal, deverá acometer aproximadamente 11 mil brasileiros, dos quais três mil perderão a vida. Não se trata, aqui, de qualquer exercício de futurologia, mas sim de mera projeção com base nas estatísticas reais. Para reduzir esses preocupantes números, inclusive o índice de mortalidade inerente à doença, o desafio é imenso. O maior aliado nessa luta começa na prevenção, com maior e mais diversificada divulgação dos males provocados pelo vício do álcool e do fumo, e passa, necessariamente, pelo aprimoramento do diagnóstico. Segundo o Hospital do Câncer, esta doença, em suas distintas formas e também com relação aos órgãos atingidos, acomete pessoas de todas as faixas etárias, principalmente as que consomem álcool e/ou fumam. Anualmente, são registrados, em todo o mundo, entre nove e dez milhões de novos casos da doença, em seus diferentes tipos e órgãos atingidos. Deste total, cerca de 400 mil são cânceres de boca e de faringe. O Ministério da Saúde do Brasil estima que aproximadamente 11 mil novos casos de câncer de boca ocorrem todos os anos no País e, o que é mais grave, com taxa de letalidade próxima de 30%, considerando o óbito de três mil pessoas anualmente. Outros dados do Hospital do Câncer revelam que a maior parte dos tumores de cabeça e pescoço ocorre nas vias aerodigestivas superiores, principalmente na boca, faringe e laringe. As taxas de incidência de cânceres dessas vias, em países não-desenvolvidos, são superadas somente pelos tumores de colo do útero. Os cânceres de boca e faringe ocupam a terceira posição nos países não-desenvolvidos e a oitava nos desenvolvidos. O total de casos incidente dessas doenças atingiu cerca de 270 mil pessoas no ano 2000. No caso específico do câncer de boca - fator muito claro na realidade brasileira -, uma das principais causas de seu agravamento em numerosos pacientes é o primeiro diagnóstico. O médico dificilmente considera de início a hipótese de o paciente estar acometido do problema. O paciente, da mesma maneira, não toma as devidas precauções. Assim, fica muito claro que a conscientização e a informação constituem-se em fatores essenciais para a detecção precoce. Isto é muito importante, pois, sabidamente, o tratamento de qualquer tipo de câncer na fase inicial da doença aumenta muito, a possibilidade de cura e recuperação do paciente. Diante da gravidade do problema, é fundamental ampliar o debate, envolvendo especialistas e profissionais de todas as áreas da saúde. É exatamente este o objetivo do V Congresso Brasileiro de Câncer Bucal (4 e 6 de novembro, na sede da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas - APCD). A integração cada vez maior das equipes de médicos, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas, que participam diretamente do atendimento aos pacientes com câncer de boca, contribui de maneira preponderante para reduzir a mortalidade da doença e melhorar as condições de recuperação do paciente. Além disso, deve ser intensificada, nos consultórios, ambulatórios, unidades de saúde e em toda a mídia, a conscientização sobre prevenção e necessidade de as pessoas procurarem atendimento especializado em caso de qualquer suspeita de anormalidade na boca. A luta contra uma doença precisa envolver o esforço conjunto de todos e da própria sociedade. Nota do Editor: Raphael Baldacci Filho, cirurgião-dentista, ex-Presidente da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) e Presidente do Conselho de Representantes da ABCD - Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas.
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