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Há algum tempo recebi por e-mail um texto intitulado A Águia, de autor desconhecido, que relatava o que considero ser um ótimo exemplo de como algumas mudanças são dolorosas, mas no final do processo podem garantir a sobrevivência do negócio. Deixando de lado se a história contada é fato ou lenda, vamos ao assunto: a águia é a ave de maior longevidade. Chega a viver 70 anos. Mas, para chegar a tanto, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão, pois nessa idade suas unhas estão compridas e flexíveis, não conseguem mais agarrar as presas que servem de alimento, o bico alongado e pontiagudo se curva, e as asas, apontando contra o peito, se mostram envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas. Voar se torna uma árdua tarefa. O que fazer? A decisão é difícil. Fazendo uma analogia com o mundo dos negócios, imagine uma empresa que sobreviveu a várias crises e sempre manteve bons resultados financeiros e alta credibilidade junto a seus clientes. Ocorre que, implacavelmente, o tempo passou e, mesmo sem perceber, o empresário deixou o seu negócio envelhecer, não se atualizou e perdeu a energia de outrora. Neste ponto, algumas decisões devem ser tomadas. Como na história da águia, a escolha pode seguir caminhos dolorosos, como, por exemplo: forte reorganização do negócio, demissão de empregados, mudança do ramo de atividade e até a venda da empresa. O que fazer? A decisão é igualmente difícil. Bem, na nossa história, ao chegar a uma encruzilhada em sua vida, a águia só tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação, que irá durar algum tempo. Este processo se inicia quando a águia voa para o alto de uma montanha e se recolhe a um ninho próximo a um paredão. Então, ela começa a bater com o bico na pedra até conseguir arrancá-lo. Depois espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. O empresário, quando percebe que o seu negócio está com problemas sérios e que, por exemplo, corre o risco de não recuperar a cor azul ao final do balanço, ou então que o cliente não está mais satisfeito como antes, precisa tomar uma decisão de mudança. O que não pode é continuar fazendo a mesma coisa e esperar confiante - e sentado - pela volta por cima. É preciso mudar, adiar investimentos, ou mesmo investir ainda que com recursos escassos, utilizando a criatividade, que em muitos casos pode ser a salvação do empreendimento. Talvez seja doloroso, como o processo pelo qual a águia passa, mas pode ser o que garantirá a sobrevivência. Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo, o que pode até significar o encolhimento do negócio, com redução do faturamento, na tentativa de recuperar alguma margem, suficiente para pagar as despesas e manter a empresa respirando. Após esse período, será possível iniciar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de procedimentos, hábitos e tradições que tiveram sucesso no passado e hoje só causam dor e prejuízo. Tenha em mente a necessidade de repensar o seu negócio de tempos em tempos. Anote na agenda, por exemplo, períodos de três meses para cada avaliação. Peça ajuda a amigos, sejam do mesmo ramo ou não, converse com consultores ou outros profissionais - o que importa é que várias cabeças pensam melhor do que uma e podem trazer experiências valiosas. Renove-se e aproveite o resultado que uma auto-renovação sempre traz. Aprenda com a águia e sobreviva. Nota do Editor: Luiz Mauricio Janela é administrador com MBA executivo e MBA em marketing.
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