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Desconstruíndo a cidade
Hoje vai ser votado na câmara um projeto que merece consideração, pois vai mexer com os destinos de muita gente. Em princípio serão concedidas trinta novas licenças para comerciantes - artesãos? - instalarem mais uma feirinha hippie, desta vez na praça Alberto Santos, privando quem chega de uma das vistas mais bonitas de Ubatuba. Será que tirar o horizonte do campo visual dos que nos visitam é uma boa medida? Penso que só vai contribuir para afastar mais os turistas que procuram a paz e a tranqüilidade que a cidade um dia ofereceu. Os artesãos e os comerciantes em geral devem entender que uma vez conseguidas as licenças, na base do toma lá dá cá, mais licenças serão concedidas no futuro. Aí, o pequeno mercado existente ficará saturado e todos perderão, mesmo porque antes da concessão de hoje, há claros sinais de saturação. Na comédia desta noite - ou seria drama? - atuarão alguns vereadores que pouco se interessam pela cidade - votarão a favor do projeto. E também comerciantes, que sonham com estabilidade e prosperidade. O que parece ser uma solução é na verdade engodo, imediatismo irresponsável que acabará por se transformar em mais problemas, incorporados aos inúmeros que há por aqui. As mazelas de Ubatuba resultam, em sua grande maioria, do caldo da incoerência que emana da casa das leis.
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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