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Medicina e Saúde
12/11/2004 - 14h46
Transplante com células-tronco na cura da leucemia
Tais Laporta
 

Receber o diagnóstico de leucemia algumas décadas atrás era sinônimo de morte. De lá para cá, a evolução da medicina ampliou as chances de cura com a quimioterapia e o transplante de medula óssea. Ainda assim, nem sempre esses procedimentos funcionam, pois o paciente pode não resistir ou não encontrar um doador compatível para transplante. Em casos como este, pesquisadores descobriram que no sangue do cordão umbilical existe uma grande reserva de células-tronco, portadoras de um potencial de renovação capaz de substituir o transplante de medula óssea.

A leucemia acomete os leucócitos, células responsáveis pelo sistema imunológico do organismo. Quando prejudicadas, elas tomam o lugar de células normais, reduzindo sua quantidade. Com um número baixo destes agentes protetores, o paciente fica vulnerável a infecções, anemia, hematomas, hemorragias, e até insuficiência de alguns órgãos. A doença atinge indivíduos de todas as idades e raças, porém mais de 50% dos casos ocorrem até os 20 anos. Verifica-se um predomínio na raça branca e cerca de 60% dos casos são no sexo masculino.

A biomedicina constatou a eficácia do sangue do cordão umbilical no tratamento da leucemia quando, ao implantar o material em alguns pacientes, as células cancerosas foram substituídas por outras completamente normais.

Além disso, estas células não comprometeram a integridade das saudáveis, ao contrário de técnicas como a quimioterapia, que destroem os elementos sanguíneos, e do transplante de medula, que se não funcionar, deixa o paciente sem componentes próprios para reagir. Já com o transplante do sangue do cordão, ainda que o método venha a falhar, o paciente não corre risco de vida.

"Uma vez implantado, o sangue do cordão umbilical se multiplica no organismo e substitui as células doentes em poucas semanas. Existem chances, inclusive, de que 100% dos agentes cancerosos sejam removidos. Neste caso, a cura pode ser visualizada", explica o Dr Nelson Tatsui, hematologista e diretor da Criogênesis, primeiro banco de células do sangue do cordão umbilical do Brasil.

Compatibilidade

Apesar do sucesso, o que muitos não sabem é que, como no transplante da medula óssea, as chances de compatibilidade do sangue do cordão são mínimas. Com a implantação de Bancos Públicos do cordão, o indivíduo precisará encontrar uma amostra compatível ao seu tipo genético numa população etnicamente heterogênea como a brasileira. Nestes casos, é possível recorrer à reserva familiar nos Bancos Privados. "Para isso, é necessário colher o material de um recém-nascido a fim de mantê-lo armazenado para estas eventualidades, e o parto é a única oportunidade para que isso aconteça", afirma o hematologista.

Para tanto, existem serviços privados que se dedicam exclusivamente à coleta e armazenamento do sangue do cordão umbilical por pelo menos 17 anos, como é o caso da Criogênesis. "Os bancos públicos no Brasil ainda não disponibilizam de uma reserva suficiente para garantir o transplante de cordão para qualquer pessoa. Seria necessária uma estocagem muito grande, já que, devido à alta miscigenação, as chances de compatibilidade entre as pessoas são baixíssimas", afirma o hematologista. Segundo o especialista, os bancos privados suprem esta carência, garantindo às famílias que se disponibilizam a pagar pela manutenção do cordão de seu filho, uma chance a mais de cura em casos de leucemia.

Mas de que forma este material, que anteriormente compunha o lixo hospitalar, pode salvar uma pessoa leucêmica? Especialistas explicam que as células-tronco presentes no cordão umbilical e na placenta no momento da gestação, possui poder de auto-regeneração, baixa taxa de replicação e capacidade de gerar inúmeros tecidos do corpo. A cada dia, a possibilidade de que estas células possam curar não somente a leucemia, mas outras 40 doenças auto imunes como Mal de Parkinson, diabetes e artrite reumatóide se torna mais evidente.

Desde 1988, foram realizados cerca de 3000 transplantes de sangue do cordão em pacientes leucêmicos. Tamanho foi o sucesso que, inúmeros países reúnem fundos para estocar o material, como é o caso dos EUA.

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