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Opinião
13/11/2004 - 11h37
Educação superior e trabalho
Paulo Roberto de Camargo
 

Uma das grandes indagações atuais dos estudantes é relativa ao potencial e oportunidades que a educação superior pode agregar ao desenvolvimento profissional, frente aos desafios das mudanças sociais, como a reestruturação produtiva e as conseqüentes alterações no mercado de trabalho no Brasil e no mundo. Estas transformações têm sido influenciadas, também, pelo crescimento no número de alunos nas universidades, ampliando o nível da concorrência pelo emprego.

Segundo o Censo da Educação Superior 2003 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), quase quatro milhões de estudantes estão matriculadas em cursos de graduação. Os dados também apontam que, entre 2000 e 2003, o número de matrículas cresceu 64,1%, quase o dobro do registrado no período de 1996 a 1999. Ou seja, cada vez mais pessoas procuram qualificação profissional, mas isso não quer dizer que as portas do mercado de trabalho abram-se mais facilmente. É o que mostra pesquisa da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade. O número de brasileiros desempregados que estudaram 15 anos ou mais, inclusive com nível superior, cresceu 120,7% nos últimos dez anos. Entre 1992 e 2001, mais de dois milhões não conseguiram emprego na área de formação e 111.748 eram desempregados qualificados.

É preciso que os indivíduos graduados recebam orientação voltada à prática e à empregabilidade durante o curso, para que não sejam simplesmente jogados no mercado de trabalho. Com isso, é importante avançar na discussão sobre como uma instituição de ensino implementa a dimensão da prática, além das constatações que já vêm sendo realizadas. Devemos pensar a respeito das atitudes a serem desenvolvidas para que possamos atuar nesse mercado, cuja evolução prevê mudanças no emprego formal e na trajetória de empregabilidade contínua, que implica o desenvolvimento de carreiras sem rupturas no percurso profissional.

Uma das questões que estamos abordando é o fato de o próprio aluno posicionar-se perante o mercado de forma vivenciada e não meramente cognitiva. Esta percepção fornece uma leitura mais apurada do próprio ser e da situação: a memória social que localiza o indivíduo frente às mudanças de sua sociedade naquilo que causa impacto sobre a família e o seu núcleo primário de formação, a imaginação que provê nossos sonhos perante a realidade e a formação humana básica, que é o sentido da ética que fornece a sociabilidade fomentadora de princípios motivacionais agregadores entre as pessoas. Sobre essa questão ética ou sua ausência, é importante notar que um dos efeitos dessas grandes transformações é o isolamento e a disposição do indivíduo para o aventureirismo egocêntrico, ou seja, "eu sou melhor do que todos, e basta".

Ao provermos o desenvolvimento de valores sociais básicos e humanitários, estaremos também construindo uma instituição com princípios éticos, que acolhe ao invés de isolar o aluno no mercado de trabalho, bem como apreende a realidade em constante mudança. Em nossas atividades de orientação, nas Faculdades Integradas Rio Branco, estamos trabalhando o dia-a-dia do aluno, suas preocupações, seus sonhos acrescidos de conhecimentos e ancorados em seu projeto de vida. Sem isto, estaremos fadados a ter uma educação mercantilista, sem indivíduos autônomos e éticos. Realizar esse aprendizado é responsabilidade também da instituição, que se abre para o mundo em mudanças, e não somente à subjetividade do aluno.


Nota do Editor: Paulo Roberto de Camargo é psicólogo, doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e professor de Psicologia Social da Faculdades Integradas Rio Branco.

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