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O Brasil precisa ser um país onde todas as crianças possam sorrir para o futuro, correr livres pelos jardins cultivados sobre a injustiça social e receber o abraço forte da cidadania. Neste 15 de novembro, o Brasil comemora os 115 anos da Proclamação da República, que desencadeou - como já ocorrera na época Colonial, no primeiro Império, na Regência e no governo de D. Pedro II - um período histórico muito turbulento, marcado pela intermitência de governos ditatoriais e tênues democracias. Não há exagero em afirmar que os prolongados regimes de exceção estão entre as causas dos problemas socioeconômicos ainda enfrentados pelo País. O direito de votar, de ir e vir, de expressar opinião, de criticar, de exercitar plenamente a política e a cidadania são os principais elementos propulsores das mudanças da história. A população brasileira ficou - desde o Descobrimento até recentemente - subtraída, em longos períodos, dessas prerrogativas, perdendo a oportunidade de construir com determinação e mãos coletivas um país ainda maior e mais próspero do que este Brasil que dá seus primeiros passos no Século XXI. A índole doce e serena do brasileiro permitiu-lhe a graça de, ao contrário do ocorrido em outras nações, promover transformações radicais sem guerras. A Independência não enfrentou qualquer resistência dos portugueses; a Proclamação da República foi uma tranqüila parada militar de 600 soldados. Dizem que apenas dois tiros foram disparados, mas não acertaram os pretensos alvos e nem foram ouvidos. O imperador deposto, D. Pedro II, viajou tranqüilamente ao exílio, levando uma porção da amada terra. As exceções ficaram por conta de revoluções e levantes regionais, como o Movimento Constitucionalista de 9 de julho de 1932, quando São Paulo ergueu-se contra mais uma das ditaduras intermitentes de nossa história. Até mesmo a aurora e o ocaso do regime de exceção implantado com o golpe de 31 de março de 1964 foram pacíficos e ordeiros. O regime militar, porém, foi duro e até cruel nos atentados contra as liberdades individuais e coletivas. A redemocratização teve três marcos importantes: os comícios pelas Diretas já, em 1984, na cidade de São Paulo; a eleição do presidente Tancredo Neves; e a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988. Desde então, o País vive importante período democrático, que parece definitivo e irreversível. O regime passou pela prova institucional do impeachment de um presidente da República, solucionando a questão pelas vias legais, democráticas e constitucionais. Tem enfrentado e resistido a sérios problemas econômicos, recessão e a grave dívida social, com todas as suas seqüelas, dentre elas a violência e a criminalidade, principalmente nas cidades de grande porte. A democracia brasileira, apesar dos problemas, está madura, firme e, tudo indica, trata-se do regime com o qual a Nação seguirá indefinidamente na busca de seu futuro. O Brasil é uma república de 115 anos. O Brasil é uma república democrática de 20 anos! - considerando como marco do fim do regime de exceção, a eleição do presidente Tancredo Neves, em 1984. Conquistamos a democracia. Resta-nos, porém, a decisiva tarefa de a transformar, de fato, numa imensa onda de energia cívica e política para edificar o Brasil dos nossos sonhos. Um país onde todas as crianças - alimentadas, saudáveis, felizes e ungidas pela igualdade de oportunidades - possam sorrir para o futuro, correr livres pelos jardins cultivados sobre a injustiça social e receber o abraço forte da cidadania! Esta talvez seja a melhor e mais contemporânea manifestação para comemorarmos a República. Nota do Editor: Milton Serafim é o prefeito de Vinhedo, em segundo mandato consecutivo.
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