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COLUNISTA
Herbert Marques
24/03/2010 - 10h07
Megalópole ou cidade sem fim
 
 

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) identifica um fenômeno, chamado de "cidades sem fim", como um dos que mais devem influenciar a vida das pessoas nos próximos 50 anos.

Em 1967, a Editora Abril lançou uma revista chamada “Realidade” com um dos temas com o título de “Grandes cidades” onde a pauta foi a identificação das cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes e as perspectivas que teriam para o ano 2000. Os editores deram prioridade para o que chamaram de a primeira megalópole da América Latina, que seria a união das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, tendo como eixo a rodovia Dutra. Fizemos parte deste projeto e chegamos a conclusão que este fenômeno urbano aconteceria por volta do ano 2000, quando todas as cidades do Vale do Paraíba estariam unidas alcançado uma população acima de 50 milhões de habitantes. Esta previsão não chegou a se concretizar na virada do século em razão de fortes recessões ao longo das décadas de 80 e 90, mas hoje estamos aí. A “cidade sem fim” ou megalópole está com 43 milhões de habitantes, faltando muito pouco para estarem unidas o que não é o mais importante com os novos meios de comunicação.

Este fenômeno assusta os urbanistas, principalmente quando se fala na união de Hong-Kong-Shenhzen-Guangzhon, na China, com 120 milhões de habitantes, ou Nagoya-Ozaka-Kioto-Kobe, no Japão, com 60 milhões de almas, todas causando grandes problemas urbanísticos para seus administradores, o que estamos longe com as nossas duas capitais. São Paulo-Rio faz diferença por se tratar de região com pequenas, médias e grandes cidades formando o complexo urbano, cada uma resolvendo o seu problema de forma independente, principalmente nos serviços básicos. Acresça-se ainda tratar-se de uma região estrangulada entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, ambas regiões exploradas pelo turismo e lazer, facilitando em muito os moradores do Vale do Paraíba, quer para o trabalho, quer para o descanso. Contudo, esse problema, ou fenômeno, deve preocupar as cidades periféricas, ou turísticas, haja vista ser irreversível a existência próxima da primeira “cidade sem fim” da América do Sul e com ela toda a problemática lá da China ou do Japão.

Nossas cidades litorâneas estão perdendo sua capacidade turística para desenvolver potencial petrolífero o que não deixa de ser perigoso para o mercado do lazer, acrescentando-se ainda a falta de preocupação com os problemas de ocupação de solo, saneamento básico, saúde e meios de transporte, incluído aqui o acesso.


Nota do Editor: Herbert José de Luna Marques é advogado militante em Ubatuba, SP.
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