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Já são quatro mulheres jovens, entre 21 e 35 anos, que morreram de hepatite fulminante com suspeita do uso de flutamida para fins dermatológicos. Os casos fatais levaram a unidade de Farmacovigilância da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) emitir um parecer técnico contra o uso da substância para essa finalidade. Antiandrogênio amplamente prescrito para combater acne, alopecia (queda de cabelo) e hirsutismo (excesso de pêlos no corpo ou no rosto), a flutamida apresenta riscos que até alguns médicos desconheciam. A dermatologista Fabíola Tasca, consultora da Triple A Serviços Médicos, explica que o problema é maior nos casos em que a substância é manipulada. "As pacientes geralmente não sabem o que estão tomando e desconhecem a ação no organismo. Esses casos deixam ainda mais evidente a necessidade de explicar aos pacientes todos os possíveis efeitos de um medicamento. Cuidar da aparência e da estética é fundamental, desde que a saúde não seja comprometida", diz. A Anvisa considera válido o uso da flutamida em uma situação: tratamento do câncer de próstata em estágio avançado. Como o remédio bloqueia a ação da testosterona, era usado em mulheres para tratar problemas relacionados ao excesso desse hormônio masculino. Embora os resultados fossem satisfatórios, não havia estudos suficientes sobre as contra-indicações. Hoje, já se comprovou, entre outros efeitos, a interferência no desenvolvimento da genitália dos fetos masculinos em grávidas porque a flutamida atravessa a placenta e vai do organismo da mãe para o da criança em formação. A Drª Fabíola Tasca defende acompanhamento médico e laboratorial nos casos em que forem receitados medicamentos por via oral. "Qualquer droga pode sensibilizar o fígado e é preciso redobrar a atenção. Muita gente até pode tomar medicamentos ditos ’naturais’ sem realmente conhecer os efeitos e indicações", adverte. Embora acredite que seja necessário confirmar a relação entre o uso da flutamida e os graves casos de toxicidade hepática, a especialista aponta procedimentos eficazes e com maior respaldo para o tratamento desses problemas de pele: Acne: Isotretinoína tópica e via oral, pílulas anticoncepcionais, antibióticos tópicos e via oral e tratamentos a laser. Hirsutismo: Contraceptivo antiandrogênico ou depilação a laser. Alopecia androgenética: 17 alfa-estradiol tópico ou minoxidil tópico.
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