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Pouco interessa os resultados das últimas eleições municipais brasileiras. Por mim, prefeitos poderiam ser todos sorteados. Seria até melhor. Pelo menos a política deixaria de aparecer santificada como a única solução para os problemas nacionais. Quanto mais repostas são deixadas nas mãos do governo, menos capazes nos tornamos. Não tem dinheiro para fazer um filme? O Estado patrocina. Seu filho não entende o que lê? O Estado educa. Quer casa própria? O Estado te dá. Mas o Estado não faz mágica. A riqueza não surge ex nihilo. É necessário potencial criativo humano. Coisa que o Estado não pode nos proporcionar. Com sua essencial coerção, não há nada que o Estado possa fazer que não encontre seu suporte na força. E a força por si nada produz, nada cria. Qualquer investimento, obra ou projeto social depende de que alguém crie os recursos para a sua realização. Antigamente escravizava-se. O governo poderia simplesmente obrigar um indivíduo a trabalhar para ele. Pouco menos descarado, o Estado contemporâneo aceita ficar apenas com o produto desse trabalho. Através de altas tributações, o homem comum trabalha meses para o governo sem perceber. O governo agradece. E manda mais impostos. Os prejuízos diretos que essa atitude inflige aos contribuintes dispensam comentários pela sua obviedade. Não há justiça na privação do fruto do próprio trabalho. Contradiz a Lei Natural e inibe a produtividade. Esses danos estendem-se também aos que são supostamente beneficiados pelo toma lá, dá cá estatal. Uma criança que tem todas as suas vontades realizadas, nada recebe de seus caprichos além de uma satisfação imediata. Nenhum engrandecimento nos é acrescentado quando, em vez de superarmos um obstáculo, deixamos que alguém o retire. O crescimento de uma pessoa está relacionado às dificuldades vencidas pelo esforço próprio. Quando, em uma sociedade, os indivíduos permitem o enfrentamento de seus problemas por outros, a vitória é irreal, insípida e nada nos ensina. A autoridade maior sobre nossa vida deve caber a nós mesmos. Se alienamos nossa responsabilidade de agir à arbitrariedade estatal, a autoridade pelas nossas próprias escolhas é simultaneamente alienada. Nada pode ser mais contrário à dignidade humana que agir conforme regras impostas. Escravo é aquele que não passa de um meio para os objetivos de outrem. Uma "ferramenta viva", como dizia Aristóteles. Somos livres na medida em que perseguimos voluntariamente nossa felicidade, em que decidimos nossos fins. E escravos enquanto servimos coercitivamente a propósitos alheios. Não é o excesso de trabalho físico que escraviza um homem, mas a manutenção do trabalho pela violência. Repudiamos nominalmente a escravatura enquanto permitimos que o Estado seja corrompido e utilizado para nos conduzir à servidão. Numa espécie de esquizofrenia moral, a atitude que condenamos na esfera individual parece perder sua malícia no momento em que ataca toda a sociedade. Como se a politização de um crime pudesse redimi-lo. O coletivismo impede que sirvamos aos nossos fins para servirmos aos caprichos de uma autoridade firmada no vício e na compulsão. Todos acabamos castigados por uma relação que retira o trabalho de um e a responsabilidade de outro. Deus nos fez sua imagem ao nos dotar de livre-arbítrio. Alienarmos essa liberdade ao arbítrio da violência é nos maquiarmos de demônios. Nota do Editor: Diogo Costa é articulista do blog Oito Colunas.
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