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Opinião
20/11/2004 - 12h00
A inépcia do centralismo tupiniquim
Dartagnan da Silva Zanela
 
"O Brasil não é um país sério". (Charles de Gaulle)

É complicado para mentes desarmadas e muitas vezes para as almas mal disciplinadas captar e compreender as evidências que a realidade nos apresenta de maneira tão translúcida, principalmente as que se encontram diante de nossas vistas, logo abaixo de nossas ventas. Essas, por irônico que pareça, são as que se apresentam de maneira imperceptível.

Exemplo cabal do que tentamos expor aqui neste breve libelo, é a gravidade de nossa situação econômica e política e sua relação com o nosso modelo Republicano centralizado. Obviamente que tal modelo nada mais é do que o fruto de nossa cultura política que se fez forjar no devir de nossa formação histórica como muitos estudiosos vem a nos demonstrar, centralismo esse, maquiado das mais variadas formas desde os idos dos governos gerais iniciados por Tomé de Souza em sua pífia tentativa de centrar a governança de tão vasta colônia, tão pouco povoada pela sua gente naqueles idos. Tal tarefa não seria uma tarefa hercúlea, mas sim, uma tarefa estúpida a qual, vem sendo reendoçada até os dias de hoje em nossa República Federativa do Brasil.

A essência de um bom governo não está em seu potencial de centralizar o poder nas mãos de poucos para assim, de uma maneira mais ineficiente, desgovernar a nação e magistralmente fazer a manutenção de seus privilégios. É ridículo termos que ver governadores e prefeitos mendigarem à União um repasse maior de verba sendo que essa é fruto de tributos cobrados no próprio Município e Estado sobre o trabalho de cidadãos honestos como você, meu caro. Mas, como bem nos ensinava o finado Roberto Campos, cidadania nesse país é sinônimo de se pagar impostos em dia e não o de exigir uma boa administração do erário existente fruto do vilipêndio de nossas finanças pessoais.

Entretanto, mais ridículo que isso, é ver esses paquidermes, em especial nas estancais municipais, em campanha para obter o poder, se mancomunando com representantes dos poderes superiores, comprometendo-se a ajudá-los nas eleições para deputados e cia, onde apenas se exige que esses lhes auxiliem enviando-lhes algumas emendas parlamentares, mas nunca para que ajudem a aprovar uma reforma que reveja o nosso vexatório pacto federativo.

O governo federal fica com a maior fatia de nossa tributação (aproximadamente 68%) enquanto repassa aos municípios uma bagatela ao mesmo tempo que transfere inúmeras obrigações para esse sem muitas vezes com as respectivas verbas necessárias, criando um clima de lavação de mãos que deixaria até Pilatos com inveja.

É de doer, termos que ver nosso tão suado dinheirinho sendo gasto em suntuosidades para uma classe dirigente que possui apenas como "virtude" diferencial frente a nós, meros mortais, a sua capacidade demoníaca de falsear a própria imagem e suas nefandas intenções.

Bem, no que tange esse ponto, sempre que nos referimos aos privilégios desta casta incrustada em Brasília (e esparramada pelo Brasil a fora), vem-nos apenas a mente a imagem de seus soldos muito generosos (R$ 12.000,00) e das possíveis peripécias ilícitas que esses podem vir a realizar para aumentar os seus rendimentos. Mas, vejamos o que mais eles têm acesso LEGALMENTE pago com o dinheiro de nossos impostos, conforme segue, para assim melhor "ajudar" o POVO brasileiro: auxílio moradia: R$ 3 mil, transporte: 4 passagens aéreas de ida e volta a Brasília/mês (totalizando em torno de R$ 990 mil/ano), dois salários extras (13º e 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo, em torno de R$ 24 mil, verba para despesas comprovadas: R$ 7 mil, verba para assessores: R$ 3,8 mil além de 90 dias de férias anuais e folga remunerada de 30 dias, mais R$ 35 mil como conta de verba de gabinete, direito a contratar 20 servidores para seu gabinete (com custos mínimos de R$ 60 mil mensais, sem falar em encargos sociais e aposentadorias precoces), adicionais de reuniões em recesso parlamentar: em media, R$ 25 mil anuais, cota extra para o envio de correspondências nos Correios, chamadas telefônicas, combustíveis, papéis, envelopes, clips, café, água mineral, papel higiênico, além de remuneração paga em dólar para representação quando em viagem ao exterior.

Se os nossos pseudodefensores do POVO acham que o péssimo destino dado a uma boa fatia de nossa carga tributaria exorbitante (40% sobre o PIB) não incide sobre o nosso desenvolvimento, então comparemos com as "regalias" dos deputados de um país desenvolvido como a Inglaterra. Lá eles não têm lugar certo onde sentar-se na Câmara dos Comuns, não têm escritórios, não têm secretários nem automóveis, não têm residência (pagam pela sua em Londres ou nas províncias), não têm passagem de avião gratuita, salvo quando em serviço do próprio Parlamento. E seu salário equipara-se ao de um Chefe de Seção de qualquer repartição.

Bem, depois tem gente que deseja que nossos jovens venham a confiar em nossos representantes e principalmente, ter gosto pela vida pública. Ora, ter gosto por esse estado das coisas é o mesmo que assinar a confissão de escroque titulado e não de cidadão.

Bem minha gente, essa é a nossa República que essa semana completa o seus capengas 115 anos de existência viciosa, aplaudida, ovacionada e endossada pela nossa covardia cívica.


Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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