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No atual contexto político do município, frente a possibilidade de mudança, nunca vi tantos cidadãos preocupados com a estrutura da flamante administração de nosso prefeito Eduardo César. Tenho participado em algumas reuniões de cidadãos dos quais muitos são empresários da cidade; o ponto estratégico que todos assimilam como preocupação FUNDAMENTAL; é o turismo... Inserindo-se como ponto nevrálgico, como sendo a vocação principal do nosso município. A preocupação de nossos empresários, com justa razão, mas com pouca visão do contexto social de nossa cidade sempre está presente: - "Quem será o Secretário de Turismo?" Mais um técnico de Parintins, com um currículo não muito recomendável segundo análises práticas e provas emergidas destas mesmas forças preocupadas? Em uma destas reuniões a qual participei não deixou de estar presente esta visão em geral. Em determinado momento, frente a preocupação pelo tal cargo (Secretário de Turismo), tentei reativar a memória dos participantes indagando, de quem se lembrava; quem foi o Secretário de Turismo em 1985? Surpresa! Ninguém se lembrou! Sendo que o tema era a principal preocupação dos presentes. Ninguém se lembrou que nesse ano tivemos quase um milhão de turistas no município durante a temporada, famílias que chegavam a Ubatuba para curtir nossas belas praias, lhes eram oferecidos um espetáculo formidável de carnaval, com vários blocos carnavalescos e escolas de samba, que já mostravam um alto nível, brindando com um maravilhoso espetáculo na avenida. O Secretário de Turismo, expliquei para eles, ERA O POVO DE UBATUBA, que era festeiro, alegre e vivia o entusiasmo que transmitiam aos nossos visitantes. O empresário resplandecia com o movimento, e nossa juventude se incorporava aos benefícios econômicos que a temporada oferecia, tendo um volume quase nulo de marginalidade, que agora se origina no marasmo econômico que se vive. Hoje o povo não é mais alegre, grande parte do povo ficou totalmente atrelado a incultura, ao medo, retraindo sua participação, negando suas próprias raízes que são a razão de ser do povo brasileiro, alegre e entusiasta. A única mudança no nosso município não passa pelo turismo, passa por um verdadeiro choque de cultura. Não são projetos mirabolantes e ridículos no atual contexto, como o tão falado Centro de Convenções que ventilou um gasto de dezessete milhões e navios de turistas estrangeiros que os nossos especialistas em turismo pensam levar para fazer um tour na "Feirinha de Artesanato" ou na Cachoeira dos Macacos. Senhores, não é isso que dignificará o real sentido de Ubatuba como cidade civilizada. Esse choque cultural que modificaria toda estrutura e valorizaria nosso município a níveis inimagináveis, seria transformar com pouco dinheiro (a metade da verba que seria usada para o projeto do centro de convenções), em dez espaços no município junto a um pacote como fazem os municípios civilizados, dando isenção de impostos por um período determinado, e que em menos de 02 anos teremos transformado Ubatuba, com uma indústria não poluente que seriam 10 campus universitários. Estes originariam uma transformação cultural e por conseqüência, por uma vez, seria tratada como uma cidade turística, originando através da cultura e do conhecimento, vantagens que hoje estão se perdendo. Trazendo cursos de meio ambiente, oceanografia, cursos na área de propaganda e cinema à qual, o município oferece até agora de graça este maravilhoso cenário, que tem levado à realização de muitos filmes, sem retornos positivos para nossa própria população. São incontáveis os benefícios. A cidade recuperaria seu verdadeiro valor e as universidades seriam muito mais agradáveis ao oferecerem seu produto aqui, ao invés do concreto das grandes metrópoles. Sem contar os cursos de verão que atrairiam interessados de todo o Brasil e do exterior.
Daí que um eminente Secretário de Turismo não precisaria trazer espetáculos que hoje se tornam impossível pelos seus altos custos, viriam sem chamar, pois Ubatuba passaria a ter bilheteria. Outros benefícios para o município seriam as parcerias com os Campus Universitários para pesquisas e estudos de nosso município que conseqüentemente originariam uma melhor qualidade de vida desde o ponto de vista social e cultural. O comércio local por sua vez se recuperaria com a massa de consumo que não visaria somente o eterno problema de "só na temporada". Nesse compromisso junto ao Campus Universitário entrariam um convênio de bolsa de estudo para nossos filhos. O limite de qualquer sociedade passa pela filosofia do sendo comum. "Não chamo um o maior e outro o menor, Quem quer que preencha o seu período de tempo e lugar é igual a qualquer outro. ...Minha mão esquerda prende-vos pela cintura, Minha mão direita aponta em direção de continentes e estrada aberta." Walt Whitman
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