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Medicina e Saúde
26/11/2004 - 19h21
Tuberculose: a doença dos excluídos
 
 

A grande maioria das pessoas acometidas pela tuberculose está à margem da sociedade. São presidiários, meretrizes, alcoólatras, entre outros. Para o Dr Helio Bacha, médico infectologista do Hospital Emilio Ribas, este é o principal motivo da falta de investimentos em campanhas para acabar com a doença. "A miséria não tem poder para determinar as políticas de saúde. Além disso, ainda há o preconceito da sociedade. Se lhe dissessem que um bandido tem tuberculose, você iria tratá-lo?", questiona o Dr Bacha.

A tuberculose é um dos temas do 2º Congresso de Infectologia do Cone Sul, que será realizado entre os dias 02 e 04 de dezembro, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo (SP).

A doença voltou a ter grande importância nos Estados Unidos na década de 90, graças ao descuido dos governantes. Naquele país, de acordo com o Dr Bacha, o programa de tratamento da tuberculose havia sido cortado porque a doença atingia apenas imigrantes e excluídos sociais. "Não quiseram investir em doença de pobre", diz. Com isso, uma nova modalidade ganhou importância: a tuberculose multirresistente, em que os medicamentos mais potentes deixam de surtir efeito.

Segundo o Dr Bacha, cerca de 1/3 da população brasileira está infectada com a bactéria da tuberculose. Anualmente, 110 mil novos casos surgem no país e 65% deles são bacilífenos, ou seja, tem poder para infectar pelo menos dez pessoas. "Quando deixamos de diagnosticar 40 mil casos, estamos colocando em risco a saúde de 260 mil indivíduos", afirma o médico.

O tratamento tem um custo baixo, mas, de acordo com o médico, falta vontade política para levar adiante a idéia de um controle da doença. "A tuberculose atinge as classes sociais mais baixas. Estas pessoas não têm poder político perante os governantes", afirma.

Para Bacha, a doença é um problema de saúde pública e a única forma de acabar com a tuberculose é a terapêutica ministrada de forma correta e levada a sério pelos governantes. "O tratamento tem de ser observado. O agente de saúde tem que colocar o remédio na boca do doente e ver se ele engoliu", afirma.

A moléstia do ar

A tuberculose é transmitida pelo ar. Quando um infectado tosse em um ambiente fechado, as partículas ficam em suspensão. Uma hora depois, se algumas pessoas entrarem naquele ambiente, pegam a bactéria. "Aquele mito de separar colher, garfo, roupas, não tem importância", afirma o médico infectologista do Hospital Emilio Ribas.

Para identificar a tuberculose é bem simples: se a pessoa tossir por mais de três semanas, está na hora de ir ao médico para realizar exame, porque existe a probabilidade de estar infectado com a bactéria. Além da tosse, em casos mais avançados, emagrecimento e febre são outros sintomas. A tuberculose tem cura em todos os casos - não multirresistentes - mas requer tratamento durante cerca de seis meses e não provoca muitos efeitos colaterais.

Aids e Tuberculose: "casamento perfeito"

O quadro de tuberculose é mais complicado em pacientes portadores do HIV. Isto porque a aids destrói a defesa celular - que é responsável pela imunidade - com isso, fica mais fácil o desenvolvimento da doença. "É o casamento perfeito", diz o DR Bacha. Além disso, alguns anti-retrovirais não podem ser combinados com os medicamentos de combate à tuberculose, pois um bloqueia o efeito do outro.

Os dados estatísticos são completamente diferentes entre HIV positivo e negativo. Segundo o médico, apenas 10% das pessoas que possuem a bactéria da tuberculose desenvolvem a doença em toda a sua vida. Nos portadores de aids, 10% dos pacientes infectados com a bactéria, desenvolvem a tuberculose uma vez ao ano. Aliás, em pacientes soropositivos a doença pode aparecer em sua forma atípica. "A mais importante é a extra-pulmonar, pois seus sintomas se confundem com outras doenças", afirma.

2º Congresso de Infectologia do Cone Sul
02 a 04 de dezembro
Das 08h00 às 19h00
Centro de Convenções Rebouças
Av. Rebouças, 60 - São Paulo - SP

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