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Crônicas
28/11/2004 - 09h24
Saudade de Henfil
Douglas Mondo
 

Ao escritor cabe tirar das palavras seus sentidos mais escondidos. Ao homem do traço, cabe abrir a seriedade e mostrar a ironia e o humor da vida.

Coube a Henfil nos mostrar, com seus traços e linhas, o risco sem riso da hipocrisia que marca a vida humana, com seus personagens atirados, belos e fortes.

Coube a fragilidade do nosso sistema de saúde levá-lo aos braços de seus personagens, mais que vivos, retratos das nossas inseguranças, anseios e idealismos.

Cabe à memória salvar o humor daquele homem que na TV Mulher nos mostrava a beleza de ser macho, em hora feminina, e que através das cartas da mãe cutucava com vara curta as relações entre cassados e seus algozes.

Nos mostrava a ironia da honestidade quando o homem público portava em seu currículo o atestado de político cassado pelo regime militar, como se isso fosse a consagração do estudante que acabara de passar no vestibular.

Ubaldo, o paranóico, sentia a santificação de tais políticos, e aos que sobreviveram, passados vinte e cinco anos do fim daquele regime, mostram-se tão iguais em suas desigualdades ideológicas.

Atestam a mesmice política: pensam primeiro em seus interesses pessoais e politiqueiros, para depois - se tempo sobrar - nos interesses da população e do bem comum.

Se estivesse vivo, morreria de rir das declarações de políticos atuais que dizem: Estou na vida pública para atender aos interesses da comunidade, aos interesses do povo!

A Graúna morreria de rir de tais declarações. Certamente ela diria: cuidado hem, quem tem mãe tem medo!

Morreria de rir também das declarações de FHC que disse que alertar contra a fome é bom, mas falar e não resolver é gravíssimo. Como se ele não tivesse ficado oito anos cuidando da fome dos brasileiros que o alimentaram. E não foi com buchada de bode!

Em homenagem ao grande cartunista, deixo pequena lembrança como se fosse sua charge, retrato de uma alma, linda e pura:

A caatinga se indignou. A morte mais uma vez da vida se afeiçoou, e o barbudo teimoso ao lado do criador se sentou. O poeta encarna o bode Francisco Orelana e escreve essas linhas pensando: - Tudo seria diferente se a pesquisa tivesse grana!

Zeferino, cabra macho, êta homem bacana, estarrecido - na caatinga também se estarrece - olhando para a linha do sol exclama: - No sul maravilha a morte a pagou a última chama!

A Graúna, linda mulher, mais sensual que Iracema, se inflama e com os peitim pra cima tasca: - Ó senhor como pode deixar a morte vencer e levar nosso pai que tanto amou e de amor se feriu? - Puta sacanagem ô meu! Vá pra ponte que partiu!

E lá no fundo do céu, do alto da sabedoria, falou o mestre Henfil sobre a dor da morte: - Fala Fradim, meu lindo poeta baixim. E um eco se ouviu: - Pra todos os safados ó... top... top... top!!!


Nota do Editor: Douglas Mondo é advogado, escritor e presidente da Tv Japi Mais.
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