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"If you are going in there, go with overwhelming force." - General Colin Powell
A última coisa que o brasileiro precisa se preocupar no momento é com o olho roxo de um bandido. Claro que não é correto um policial bater, após prisão efetuada, em um assaltante. Sei que seria a vontade de muitos, já devidamente revoltados com a inoperância do Estado no combate à criminalidade, sua função básica. Mas o império da lei e as normas que preservam nossa civilização condenam tal atitude, com razão. Entretanto, a importância dada ao fato foi exagerada, fora de contexto, e acaba prestando um desserviço à luta contra o crime. A vítima verdadeira acaba abandonada ao ostracismo, tornando-se apenas mais um número nas estatísticas, enquanto o culpado acaba tratado com destaque como vítima. O Brasil é um país dotado de ferrenhos defensores dos "direitos humanos", mas estes parecem ficar restrito ao lado errado, protegendo em demasia os marginais. Se membros criminosos do MST invadem uma propriedade privada, são vistos pelas autoridades como legítimos defensores da reforma agrária. Se um adolescente, capaz das maiores barbaridades imagináveis, comete latrocínio, acaba escoltado pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), num absurdo incentivo à bandidagem desenfreada. Se alguém foi terrorista comunista no passado, é premiado com indenizações milionárias. Se a polícia cumpre sua tarefa e prende perigosos bandidos, mas no calor do momento ultrapassa ligeiramente os limites da lei, tudo que o pessoal dos direitos humanos consegue é condenar o policial. Não estão colaborando muito para o verdadeiro combate ao crime, invertendo os valores dessa forma. Fora isso, nossa nação é mestre na cultura do "coitadinho", julgando sempre com excesso de complacência os marginais. A culpa acaba recaindo sobre fatores exógenos, como a abstrata "sociedade" ou a miséria. Raramente condenamos o verdadeiro culpado, o indivíduo. Achar que quem nasce na favela não tem como deixar de ser bandido é um despautério, uma falta de lógica total. Afinal, a maioria dos que ali moram são pessoas de bem, honestas e lutando dignamente para sobreviver. A marginalidade merece condenação individual, e é a impunidade que permite a proliferação da criminalidade. De nada adianta colocar a culpa na sociedade ou desarmar os inocentes. Na verdade isso estimula ainda mais o crime, servindo como garantia de que não haverá chance de reação das vítimas. O que necessitamos urgentemente é da sensação de punição. O bandido pensará duas vezes antes de cometer o crime se as chances dele ser pego forem elevadas e se a punição sofrida for dura. O resto é apenas retórica para confortar românticos, que não querem encarar a realidade dos fatos. O programa Tolerância Zero, adotado na cidade de NY, partia da teoria do "broken window", a qual diz que um pequeno delito impune é um convite para novos e mais graves crimes. A cidade precisa passar a imagem de ordem, império da lei e punição aos marginais. Até o pivete que assalta na rua precisa de uma punição exemplar, para criarmos este ambiente contrário ao caos e desordem, que serve como solo fértil para outros crimes. Portanto, não é de complacência com os "coitados" criminosos que estamos precisando. Não é de culpa em fatores exógenos e abstratos que precisamos. Não é da super proteção concedida aos bandidos, tratados como vítimas, que precisamos. Não é de mais leis no papel, como o Estatuto do Desarmamento, que precisamos. E não é do grau exagerado de atenção dada ao olho roxo de um assaltante que precisamos. O que precisamos, para ontem, é de punição para aqueles que atormentam a vida pacífica dos cidadãos de bem. Se querem fazer um apelo eficaz pela paz, façam um apelo pela punição dos bandidos. Afinal, creio que eles entendem bem melhor a linguagem da força que a das palavras bonitas. Nota do Editor: Rodrigo C. dos Santos é economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.
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