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Opinião
28/11/2004 - 18h19
Intenção não é solução
João Luiz Mauad - MSM
 

Como dizia o insubstituível Roberto Campos, no Brasil costuma-se confundir boas intenções com soluções. De fato, como bem lembrou Arnaldo Jabor em artigo recente, é mais fácil aplacar nossas culpas maldizendo a pobreza, clamando contra a desigualdade social, pendurando faixas nas varandas vociferando "BASTA!" e protestando pela justiça social do que gastar calorias raciocinando sobre o porquê dos problemas e seus possíveis equacionamentos. A ingenuidade é tanta que chega às raias do ridículo. Indignado com a violência e manipulado como marionetes pelos demagogos de sempre, o povo (nele incluída boa parcela da classe média mais bem instruída e informada) se veste de branco e vai para a rua exigir PAZ, sem perceber a total inutilidade do seu ato. Age como se o bandido fosse sensível a tais manifestações, como se indignação, pura e simples, resolvesse alguma coisa.

Aqui na terra de Macunaíma, desde longe confiamos que com uma bela retórica e um punhado de boas intenções resolveríamos todas as nossas mazelas, quando, na verdade, não se tem a mais vaga noção das suas razões. Ao contrário, misturamos causas com efeitos e estamos conversados. Continuamos esperando que essa entidade suprema e benfeitora chamada Estado nos traga as soluções, sem percebermos que ELE é o principal problema.

Até quando, meu Deus, os inocentes continuarão acreditando que a culpa de tudo é das tais "elites retrógradas" ou dos "empresários gananciosos", como se eles fossem muito diferentes, aqui e alhures? Será que a cegueira, por conta de décadas de doutrinação e propaganda marxista, condenará o cidadão brasileiro à eterna ignorância e à credulidade? Permanecerá ele, para todo sempre, incapaz de inferir que as verdadeiras causas da propalada desigualdade brasileira são, pela ordem: a (falta de) educação, décadas de (hiper)inflação (o imposto mais perverso que existe), o desperdício do dinheiro público e a corrupção? E, o que é ainda mais paradoxal, que todas elas são da exclusiva responsabilidade do reverenciado Leviatã benfeitor e suas aventuras desenvolvimentistas?

Exemplos recentes vindos da Ásia já demonstraram que não se consegue manter índices de desenvolvimento sustentado e corrigir desigualdades a não ser com investimento maciço em educação. Refiro-me à educação de base (primeiro e segundo graus) e não ao ensino superior (que deveria ser privatizado). Falo de professores realmente preparados e não de prédios bonitos e pomposos. Mas como dar educação de qualidade para o filho do pobre se o governo consome quase todo o orçamento para sustentar as sinecuras e privilégios da máquina administrativa e desperdiça boa parte do que sobra com projetos assistencialistas inúteis, tipo fome zero, bolsa isso e bolsa aquilo?

Os nossos políticos precisam urgentemente convencer-se de que o trabalho (eu disse trabalho, não emprego) é a única maneira de prover dignidade ao ser humano e não a esmola, que, na maioria das vezes, serve apenas para mitigar a consciência de quem dá. De que o único processo capaz de criar postos de trabalho é o mercado (iniciativa privada), através de novos investimentos. De que investimento sem poupança é ilusão e que nossa poupança é ínfima por conta da elevadíssima (e sem retorno) carga tributária. De que não podemos manter para sempre uma carga tributária de país nórdico e serviços públicos de país africano (leia-se África Central). Enfim, de que o gigantismo estatal está por trás da grande maioria dos nossos problemas.

Por mais incrível que isso possa parecer aos olhos dos românticos socialistas, sem uma profunda revolução econômica, que leve o Brasil para algo próximo do liberalismo clássico, jamais experimentado aqui por essas bandas, não haverá solução eficaz e duradoura e continuaremos a remar contra a maré, esperando que os governos, como num passe de mágica, se tornem eficientes, incorruptíveis e (suma utopia) passem a gerar riqueza, no lugar de subtraírem-na da sociedade.

Mas, como sob a nossa "Constituição dos privilégios", com seus infindáveis direitos adquiridos e cláusulas pétreas, as reformas necessárias são praticamente impossíveis, seja o que Deus quiser...


Nota do Editor: João Luiz Mauad é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

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