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Verão é tempo de praia e piscina - e também de cuidados intensivos com a pele do corpo. Veja como se prevenir do câncer.
A estação mais ovacionada pelos brasileiros chegou e, com ela, a temporada de praia, piscina, sol e mar. É verão no país. A moda enaltece os corpos bem feitos e morenos. A ordem é estar bronzeado. Ansiosas por "pegar uma cor" rapidamente, muitas pessoas se expõem ao sol de maneira abusiva, por tempo prolongado, esquecendo-se dos riscos que esse tipo de comportamento suscita. Sol em exagero eleva as probabilidades de o indivíduo desenvolver câncer de pele, além de ser um dos fatores que mais contribuem para o aparecimento de rugas precoces. Para quem não sabe, existem basicamente três tipos de câncer de pele. São eles: melanoma, carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular. Os dois últimos, especialmente, têm íntima relação com a exposição contínua ao sol. Embora o melanoma não esteja comumente associado à incidência dos raios solares, ele também ocorre com mais freqüência em pessoas que tomam sol em exagero. Portanto, para se prevenir dessa forma de câncer, uma das que mais atingem os brasileiros, tomar sol com parcimônia e devidamente protegido é ainda o melhor caminho. Estatisticamente, em cada grupo de sete pessoas, uma irá desenvolver câncer de pele algum dia na vida. Ou seja, a incidência é muito alta. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a cada ano aparecem em torno de 55 mil novos casos de câncer de pele no Brasil. Saiba mais sobre os três tipos comuns de câncer de pele: • Carcinoma Basocelular: é o mais freqüente e com o menor potencial de malignidade. Seu crescimento é lento e muito raramente se espalha à distância. Ou seja, seu risco de provocar metástase (a disseminação do tumor pelo organismo) é mais baixo. Pode se manifestar de várias maneiras. Feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade devido a pequenos traumatismos, como o roçar de uma toalha, podem ser indício de um carcinoma basocelular. • Carcinoma Espinocelular: seu crescimento é mais rápido quando comparado com o tipo basocelular. As lesões maiores podem provocar metástases distantes da origem do tumor. Também conhecido como carcinoma epidermóide, é bem menos freqüente que o basocelular. Acomete mais áreas de mucosa aparente, como a boca ou o lábio, cicatrizes de queimaduras antigas ou áreas que sofreram irradiação (raios X). Pode ocorrer também a partir de lesões pré-cancerosas decorrentes da exposição prolongada e repetida da pele ao sol. • Melanoma Maligno: tumor maligno muito grave que se origina das células que produzem o pigmento da pele (melanócitos). Freqüentemente provoca metástases em outros órgãos, sendo de extrema importância o diagnóstico precoce para a sua cura. Pode surgir a partir da pele sadia ou a partir de "sinais" escuros (os nevos pigmentados), que se transformam no melanoma. O melanoma pode aparecer ainda em áreas de pele não expostas ao sol, porém é mais freqüente nas expostas. Pessoas que possuem sinais escuros na pele devem se proteger dos raios ultravioleta com rigor, pois eles podem estimular a sua transformação. Vale lembrar que, a exemplo do melanoma maligno, nem todo câncer de pele tem origem no sol. Lesões de pele, como queimaduras, tratamento radioterápico, doenças de pele, como nevus sebáceos, nevus verrucosos e outras, também podem predispor a pessoa ao desenvolvimento de câncer na pele. Por isso, na dúvida, quaisquer alterações em sinais antigos, tais como mudança da cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação ou surgimento de áreas pigmentadas à sua volta, devem justificar uma consulta médica especializada para avaliação. Além disso, algumas características dos sinais já podem recomendar um exame minucioso da lesão. Para evitar complicações, fique atento ao chamado ABCD do melanoma: • Assimetria: formato irregular • Bordas irregulares: limites externos irregulares • Coloração variada (diferentes tonalidades de cor) • Diâmetro: maior que 6 milímetros Se alguma lesão ou marca pelo corpo apresentar uma ou mais características acima, é hora de procurar um médico - de preferência, um dermatologista, oncologista ou cirugião-plástico. Como já foi dito, as alterações que ocorrem nas "pintas" devem ser observadas com muito cuidado. É importante que todos façam, periodicamente, um auto-exame da pele. Nessa avaliação, deve-se também verificar sempre a presença de nodulações recentes na pele. Mas transformações nas pintas antigas, como crescimento rápido, sangramento fácil e freqüente ou lesões que não cicatrizam facilmente, também merecem atenção especial. Formas de enfrentar o problema O tratamento para o câncer de pele é potencialmente cirúrgico, especialmente no caso do carcinoma basocelular, que não responde a tratamento quimioterápico nem radioterápico. Mas, como dificilmente se dissemina, a cirurgia é o tratamento de escolha. Já o melanoma e o espinocelular, dependendo do grau de comprometimento, deverão ser tratados com a cirurgia radical e medidas terapêuticas quimioterápicas ou radioterápicas associadas, quando necessárias. As peles claras são as mais vulneráveis à doença e podem desenvolver câncer de pele com muita facilidade. Aquelas pessoas de olhos azuis, pele muito clara, que não bronzeiam, e sim queimam, ficando vermelhas, são as mais propensas ao problema. Isso não quer dizer que os de pele mais morena também não possam desenvolver câncer de pele. Já as pessoas de pele negra e amarela têm uma proteção maior e quase não apresentam essa forma da doença. Quem tem muitas pintas pretas pelo corpo, sardas múltiplas, e, principalmente, pele clara, deve redobrar a atenção no auto-exame. E, igualmente importante, é tomar ainda mais cuidado ao se expor aos raios ultravioletas do sol e das câmaras de bronzeamento - essas últimas se constituem numa prática bastante arriscada, bem disseminada nos grandes centros urbanos. Antes de embarcar nesse modismo, consulte um médico para avaliação. No Brasil, apesar das diversas campanhas desenvolvidas pelas sociedades médicas, hospitais e pela mídia em geral, ainda existe muita gente que insiste em tomar sol sem proteção. Há ainda várias pessoas que, por motivos variados, não têm acesso a essas informações preventivas, predispondo-se ao surgimento do câncer de pele por ignorância sobre os cuidados a serem tomados. É importante estar atento às recomendações médicas para evitar o problema e, sempre que surgir oportunidade, disseminá-las para a população em geral. Existe ainda uma falsa idéia de que devemos nos proteger do sol apenas na praia. Por conta disso, os cuidados na piscina, no futebol, na zona rural, nos passeios em barcos, pescarias, em shows ao ar livre, em caminhadas pela cidade ou em outras atividades que nos exponham por tempo prolongado aos raios ultravioleta acabam ficando de lado. Veja quais são os cuidados preventivos: • Evite o sol entre 10 e 16 horas • Use bloqueadores ou protetores solares sempre, mesmo que não vá tomar banho de sol ou com tempo nublado. Se tiver dúvida sobre o tipo apropriado de produto para sua pele, consulte um dermatologista • Ao entrar na água ou transpirar muito, repasse novamente o protetor • O uso da proteção não significa que você pode abusar do sol. Respeite o limite da sua pele • Para uma proteção mais completa, use também chapéu ou boné, óculos escuros e camiseta • O sol deve ser evitado desde a infância, pois seus raios têm efeito cumulativo sobre o organismo; até os 20 anos de idade recebemos cerca de 75% da radiação solar que vamos tomar durante a vida • Não despreze os cuidados preventivos durante o inverno. Nesta estação do ano, o sol tem mais radiação ultravioleta, o que o torna mais perigoso. Nota do Editor: Antônio Maurício de Souza é médico cirurgião-plástico do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, de São Paulo.
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