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Opinião
02/12/2004 - 07h05
Vergonha? O que é isso mesmo?
Ubiratan Jorge Iorio - MSM
 
"Meu filho, procure nunca ser de todos ao mesmo tempo. Dizem que ’quem não tem vergonha todo o mundo é seu’; a verdade, porém, é que quem não tem vergonha é que é de todo o mundo." - Barão de Cotegipe

Brasília presenciou, na semana passada, um espetáculo deprimente de atraso mental, de vagabundagem oficial e de falta de vergonha federal. Como todos fomos informados, hordas de esquerdopatas crônicos ocuparam a Esplanada dos Ministérios para protestar contra a "reforma educacional" e a política econômica do governo petista e para exigir do mesmo que acelere o programa de reforma agrária.

O atraso mental dos estudantes que não estudam, dos intelectuais que não pensam e dos agricultores que não plantam ali reunidos só é comparável à do governo petista, que não governa. Equivale, para usarmos uma linguagem popular, a alguém, em pleno ano da graça de 2004, declarar-se torcedor do Rio Cricket Team, equipe de futebol há bastante tempo extinta, que disputou os primeiros campeonatos do "velho e violento esporte bretão" na cidade, naqueles tempos de fato maravilhosa, de São Sebastião do Rio de Janeiro... Sim, ser comunista hoje em dia, depois do que a história do século XX nos ensinou, é como torcer pelo Rio Cricket, ou como cheirar rapé para espirrar, ou tentar comprar roupas nas falecidas lojas Ducal.

A vagabundagem oficial, no sentido de ser exercida às claras, sem qualquer preocupação com a necessidade de esconder os próprios erros que a maioria das pessoas experimenta - como a dos estudantes que, às escondidas, cabulam aulas, por exemplo - pode ser resumida em poucas perguntas: será que aqueles milhares de tontos não tinham nada de útil para fazer durante uma semana inteira? Será que todos estavam de férias? Será que aqueles estudantes, em época bastante próxima da realização dos exames finais, estão levando a sério os seus pretensos "estudos"? Será que aqueles pseudo-agricultores não tinham mais o que fazer no campo, sei lá, plantar, regar, colher, secar, descascar? Será que aquele bispo e alguns religiosos presentes não tinham um trabalho importantíssimo para fazer em suas dioceses e paróquias e o deixaram de lado para protestar contra o que não conhecem a fundo e para exigir o inexeqüível?

A falta de vergonha federal é que - pasmem-se! - tudo aquilo contou com o patrocínio financeiro de dois ministérios, do Banco Popular do Brasil, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal, segundo a imprensa toda divulgou!

Falta de vergonha, falta de compostura, falta de ética e de respeito a padrões morais mínimos exigidos pelo sistema democrático! Como podemos aceitar que um governo patrocine um protesto... contra ele próprio? Será que o PT não se deu ainda conta que, desde o primeiro dia de 2002, deixou a oposição que sempre exerceu com rancor e passou a ser governo, que até aqui, já na metade do mandato, jamais exerceu com um mínimo de pendor?

Dizer que a reforma agrária que aquelas hordas pretendem é uma exaltação ao carro de boi e um abandono da tecnologia moderna é chover no molhado; falar que a reforma educacional que os "movimentos sociais" pretendem consegue ser pior e mais atrasada do que o próprio projeto cubanizante engendrado pelo Ministério da Educação é regar o mar e atestar que a única fonte razoável de decisões deste governo, que é a chamada equipe econômica, é soprar em meio a um vendaval. Por isso, não vamos aqui perder tempo mostrando que a roda é redonda.

O que desejamos deixar à reflexão do leitor é a falta de vergonha de nossas autoridades, quando gastam o dinheiro dos contribuintes para patrocinar um evento claramente político, bem como - com o perdão da palavra - a burrice de, em o fazendo, o referido exemplo ser contra quem o está pagando diretamente. E já não é a primeira e nem a segunda vez que isto ocorre neste governo da falsa esperança: houve o caso da ex-ministra Benedita, que foi rezar com o dinheiro público, o do show do PT patrocinado pelo Banco do Brasil e muitos outros exemplos de falta de compostura pública.

Sinceramente, para quem tem o hábito de raciocinar e de respeitar a ética - além, naturalmente, o de pagar impostos - é água demais, até mesmo para um camelo...


Nota do Editor: Ubiratan Jorge Iorio é Doutor em Economia (EPGE/FGV), Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (Cieep) e Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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