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Opinião
04/12/2004 - 11h29
O mundo dos hipócritas
Rodrigo C. dos Santos - MSM
 
"You can accomplish anything in life, provided that you do not mind who gets the credit." - Harry Truman

O mundo pertence aos hipócritas. O importante acaba sendo a imagem do indivíduo perante o grupo, o seu status, as aparências. Portanto, seu objetivo será discursar bonito, divulgar soluções românticas, defender os mais fracos, posar de nobre alma, criticar os vencedores. Mas ele sempre irá depender destes. Afinal, poucos são os que carregam o mundo nas costas, enquanto muitos pegam carona, criticando os que sustentam a humanidade, mas disputando os créditos dos bons resultados. Assim é a vida. Foco na forma, não no conteúdo. Felizmente, essa minoria que realmente faz as coisas que precisam ser feitas existe, e não costuma muito ligar para o que falam dela. O mundo agradece. Condena, mas agradece.

Os exemplos que vêm à cabeça para enfatizar esse ponto são inúmeros, e mal sei por onde começar. Talvez o melhor de todos, por ser muito comum, seja o caso dos "pacifistas". Pregar a paz, o perdão, defender os "direitos humanos", principalmente para os bandidos, eleva qualquer um ao patamar de nobre cidadão, preocupado com a violência e defensor dos fracos e oprimidos. Colocar em palavras coisas belas, como "oferecer a outra face ao agressor", destaca a aparente bondade do ser, sua suposta superioridade espiritual. Repetir que "olho por olho e o mundo acabará cego" então, pode gravar na História a imagem de santo. Sorte que eram ingleses os colonizadores dos indianos, pois fosse um Stalin ou Mao, Gandhi seria somente mais um número entre as milhões de vítimas da violência, como foi o caso dos calmos tibetanos. Os que são mais apegados à lógica e à razão, e não costumam navegar por este universo utópico e fantasioso, que pinta um homem inexistente, agradecem àqueles que enfrentam de verdade a escória humana, que afinal não liga muito para a retórica.

Quando um jornalista perguntou capciosamente para um general americano após o 11 de Setembro o que ele pensava do perdão, e este respondeu que o perdão era com Deus, sendo o seu papel somente agendar o encontro entre Este e os terroristas, as pessoas de bom senso comemoraram, enquanto as pombas hipócritas acusaram-no de belicoso e truculento. É sempre assim. Muito mais fácil e confortável é o papel de somente criticar os que fazem algo concreto na luta contra o terror, quando se está protegido justamente pelos que são acusados. E os "pacifistas" críticos de plantão sempre poderão subir no altar das vítimas, condenando os demais. Isso fica claro no paradoxo à seguir: um terrorista é capturado pela polícia, que sabe da existência de uma bomba armada por este em local público. Mas o réu confesso se recusa a declarar a localização da bomba. Como a polícia deve agir? Se usar meios heterodoxos para obter a informação, tal como a tortura, será imediatamente e fortemente criticada pelos "pacifistas", mas se nada fizer e deixar a bomba explodir, matando dezenas de inocentes, será acusada com a mesma violência pela sua incompetência e inoperância. É o caso prático dos que condenam a CIA e o governo americano pelo atentado do WTC, ao mesmo tempo que levantam-se contra qualquer medida que estes adotam para tentar evitar novos atentados. Na confortável posição de inação dos críticos românticos, protegidos pela hipocrisia, não há como perder. Basta sempre condenar, pregando a paz abstrata, como se esta caísse do azul. Não se importam com os árduos fatos da vida real complexa.

Não precisamos nos ater à violência. Quando o assunto é riqueza, progresso, inovação, temos o mesmo diagnóstico. O empreendedor cria algum produto novo, financiado por um capitalista, ambos focando em seus interesses particulares, e tudo que os hipócritas fazem é condenar a ganância alheia, a "exploração" do patrão, ao mesmo tempo em que usufruem do produto novo. Culpam os ricos pela miséria, pregando apenas distribuição melhor da riqueza, enquanto outros trabalham de verdade preocupados em criar a riqueza. Tiram dos indivíduos as responsabilidades, criando conceitos coletivistas, enquanto buscam vantagens bastante individuais. Condenam as fábricas que geram alguma poluição, mas reclamam se os preços subirem pois a empresa teve que investir mais em projetos ambientais. Acusam as guerras por petróleo, mas vociferam contra um aumento no preço da gasolina ou qualquer derivado do ouro negro caso o Oriente crie algum embargo. Apontam os defeitos da civilização, criando a fantasia de um homem bom corrompido pela sociedade, enquanto aproveitam cada vantagem dessa civilização. Afinal, essas pessoas não fazem suas críticas da selva, que está livre para quem quiser fugir desse "maldito" progresso. Criticam tudo e todos que possibilitam nossos avanços, mas não cedem no consumo de seus produtos, que trazem maior conforto para a humanidade. O exemplo mais gritante é o antiamericanismo, já que o crescimento econômico e avanço tecnológico dos Estados Unidos é que garante o emprego de milhões mundo afora, cujo passatempo predileto é criticar justamente aqueles que os sustentam. Assim é fácil.

A máscara da hipocrisia esconde os rostos covardes, oportunistas e pérfidos. A ignorância voluntária, dado que os fatos estão disponíveis para quem quiser buscá-los numa pesquisa sincera, imparcial e honesta intelectualmente, protege as pessoas da verdade dolorosa. A hipocrisia conforta, jogando a culpa para fatores exógenos. A hipocrisia rende bons frutos para os desonestos, que conquistam via emoção multidões de desesperados. A hipocrisia afasta a necessidade de esforço verdadeiro para melhorar as coisas. A hipocrisia garante a fama de bondoso frente às massas. O mundo, na aparência dos créditos, é dos hipócritas. Ainda bem que os verdadeiros heróis não ligam para os créditos, deixando que os hipócritas fiquem com eles, contanto que aquilo que tem que ser feito, seja feito. Até mesmo os hipócritas agradecem, no silêncio e escuridão do apagar das luzes.


Nota do Editor: Rodrigo C. dos Santos é economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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