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Opinião
10/12/2004 - 12h06
Pra que discutir com madame?
José Nêumanne - MSM
 

Quando ganhou a eleição em 2000, madame partiu. A cidade estava afundada em corrupção, desorganização e carências e por conta delas ela superara adversários antes fortes, entre os quais o patrono do prefeito que saía, que se escorraçara a si mesmo depois que avisou que ninguém deveria votar nele se seu pupilo não se saísse bem na gestão. O prefeito e pupilo foi uma catástrofe, fosse como prefeito, fosse como pupilo. E o povo não se esqueceu do aviso do prócer, mandando-o, então, de volta para casa. Um assessor sensato teria dito a madame que melhor seria ficar e trabalhar duro para reconstruir o que o desastrado antecessor deixara de ruim. Mas, primeiramente, no calor do triunfo escasseiam assessores sensatos e, depois, como madame é teimosa! Ela preferiu foi dar uma lição de modernidade a esta metrópole preconceituosa e conservadora: em vez de voltar suas atenções totalmente para ela, preferiu construir outro lar e flanar no exterior com o novo dono de seu coração, fora do alcance da água derramada e do lixo não recolhido. Se madame assim o quis, pra que discutir com madame?

Em quatro anos de gestão no maior e mais rico município do País, madame poderia ter aplicado os conceitos básicos que qualquer dona de casa conhece: economizar os caraminguás e submeter as despesas ao que recolhessem seus fiscais. A quem lembrou medida tão comezinha madame respondeu que era doutora e não o era à toa: tinha diploma, pós-graduação e mais que fazer. Aí, batizou os velhos Ciops de Brizola de Ceus e obrou o milagre da multiplicação das boquinhas, pois não podia deixar de atender companheiros aflitos da militância sem precisar submetê-los à canseira do concurso público nem se preocupar de onde sairiam os recursos necessários: não tem problema, cria taxa. Quem não a entendeu a apelidou de Martaxa, mas isso não a abateu: recorreu ao marqueteiro-mor da República, entre uma rinha e outra, apelou para o espírito cívico do ex-marido senador e inventou os Ceus-saúde. Tinha certeza de que a eleição estava no papo, até porque aquele careca do PSDB não era páreo na disputa nem para seu filho roqueiro, que conheceu o zelo materno ao ouvir uma explicação sobre obra urbana do inimigo que ia virar cabo eleitoral: "Foi o dr. Paulo que fez, filho". E se assim madame falou, pra que discutir com madame?

Mas esse povo preconceituoso e conservador também foi ingrato. Primeiro, com dr. Paulo: no primeiro turno, impediu que dr. Paulo se dispusesse a perder cavalheirescamente para madame, como combinara com o comissariado num pacto que lhe rendeu um bom alívio em suas agruras com a dita justa. Depois, com madame, coitada! A maioria nem entendeu que madame não era culpada da política neoliberal e submissa ao FMI do companheiro Lula, aquele ingrato, que recebeu apoio dela no maior colégio eleitoral do País e, quando teve de retribuir, não lhe corresponderia à altura. No entanto, muita gente deu trela para aquele careca de maus bofes, que vivia falando mal dela pra todo mundo.

E agora se entende menos ainda por que madame viajou para a Europa deixando de pagar umas continhas para guincheiros que só guincham se receberem do dinheiro que ela precisa economizar para evitar ser apanhada na malha da horrenda Lei da Responsabilidade Fiscal, que, aliás, ela avisou que não ia dar certo. Essa lei maldita é que a impediu de pagar os músicos da orquestra, os operadores de radar, os varredores das ruas e os funcionários dos Ceus. Mas, se ela acha que mais importante que milhões de eleitores ingratos é comemorar os 50 e poucos do amado, pra que discutir com madame?

Madame perdeu o charme, mas não perdeu os caprichos. Não tem iniciativa, mas ainda é vingativa. Madame viajou, mas quem disse que não volta? Então, pra que discutir com madame? É só cobrar os caprichos e a vingança dela quando ela voltar, ora!


Nota do Editor: José Nêumanne, jornalista e escritor. É editorialista do Jornal da Tarde.

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