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Grande parte das mazelas da sociedade contemporânea decorre da confusão entre "felicidade" e "satisfação". Satisfação é o estado de espírito que nasce de algo atraente aos sentidos humanos, como um orgasmo, um carinho, uma gargalhada ou uma pescaria. Já felicidade é o estado de espírito de quem nutre sua alma e sua prática pelo Bem. É da prática do Bem, portanto, que decorre a felicidade. Qual a notável diferença? É que a satisfação se conforma com o "bom", o "bem bom" ou o "gostoso", enquanto que a felicidade só existe através do "Bem" (assim escrito, com "b" maiúsculo). A felicidade aponta para o eterno, para o equilíbrio, para a segurança, para o permanente. Já a satisfação é momento, é coisa que dá e passa. A questão está em desvendar o seguinte "mistério": a satisfação pode conviver com a felicidade, mas jamais poderá substituí-la. Descer corredeira, saltar de bung jump, pular de pára-quedas, colocar o carro a 220 km/h, ir à balada ou tomar um bom porre são estímulos aos nossos sentidos, que nos geram gostosos momentos de satisfação. Isso é ótimo. Mas, ao contrário do que possa parecer, são apenas "momentos" e não substituem a felicidade, que é um estado de espírito bem mais precioso, constante e perene. É perfeitamente possível viver esses momentos de "adrenalina" e ser feliz. Uma coisa não impede a outra. Mas o que não será possível é que uma vida tomada somente pelas "adrenalinas" alcance a felicidade. Só "adrenalina" é sinal de fuga, medo, fraqueza espiritual e conflito interior. E, especialmente muitos de nós, jovens, somos conduzidos (pela mídia, por alguns pseudopsicólogos e por conselheiros de plantão) a resumir a busca de nossa felicidade a extremos momentos de prazer. E aí saímos a "curtir a vida", mas, cabeça no travesseiro, continuamos sem entender o vazio que a domina. O Bem é ridicularizado, tido por piegas, chato e careta. Mas como não perceber que alguns doentes, paraplégicos e deficientes, apesar da carência de sentidos, se declaram felizes? Como não notar a felicidade esfuziante no semblante de muitas pessoas que, serenas, sequer precisam sorrir para demonstrá-la? Como não perceber que muitos dos "adrenalinados", em verdade, estão fugindo de suas próprias carências? O caminho da felicidade está, portanto, em nutrir o espírito e encontrar o Bem. O caminho da felicidade aponta para um só lugar: aponta para Deus. É a única "adrenalina" que nunca termina. Nota do Editor: Cleber Benvegnú é advogado e escritor.
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