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Opinião
16/12/2004 - 10h14
Direito de divergir da maioria
Cleber Benvegnú - MSM
 

Há alguns dias escrevi sobre a confusão que fazemos entre "satisfação" e "felicidade". A satisfação é a adrenalina, é a gostosa sensação gerada quando a emoção vai às alturas. Já a felicidade é mais perene e complexa, pois existe apenas quando o espírito e a prática são nutridos pelo bem. Satisfação e felicidade convivem - disse eu -, mas não se confundem: momentos de satisfação, sozinhos, não significam felicidade. Quando a vida não é nutrida por valores mais permanentes, tais momentos funcionam apenas como máscara para esconder, em verdade, uma grande tristeza.

Uma leitora, lendo isso, lançou chineladas: coisa careta, papo chato, preconceito, isso não combina com seus 26 anos, o jovem tem mais que curtir a vida! Chineladas devolvidas, mostrei que ela não tinha lido direito meu artigo e, tomada por uma pensamento que ela própria construiu, havia partido para a agressão gratuita. Ora, em nenhum momento eu havia defendido que o jovem não devesse ter e curtir seus "momentos de adrenalina". Apenas estava alertando que uma vida feita "só" de adrenalinas pode significar tudo, menos felicidade.

Chineladas à parte, a discussão que travamos é bem exemplificativa de o quanto é penoso pensar diferente da maioria, principalmente nos ambientes jovens. Reina um pensamento padrão devastador no imaginário coletivo do nosso meio, que ganha tintas de verdade científica e força de pensamento único. Quem não se enquadra, ganha logo um carimbo: "preconceituoso".

Um discurso "politicamente correto" tomou conta de grande parte dos corações e mentes juvenis. Ou o jovem pensa como os VJs da MTV, ou toma carimbada! Ou repete as frases dos artistas, ou toma carimbada! Ou discorda sempre da Igreja, ou toma carimbada! Ou gosta de música internacional, ou toma carimbada! Ou concorda sempre com a Martha Medeiros, ou toma carimbada! Ou fala com um certo desprezo de religião e de casamento, ou toma carimbada! Ou diz que é da esquerda, ou toma carimbada! Ou defende que a mulher tem direito sobre o "seu" corpo para justificar o aborto, ou toma carimbada! Ou diz que cada um é livre para fazer o que quiser, ou toma carimbada! Ou faz um discurso de ódio aos EUA, ou toma carimbada! São carimbadas e mais carimbadas de aniquilamento e de supostas verdades.

Os que são cegamente adeptos do pensamento majoritário funcionam como papagaios a repetir o que a maioria pensa, imaginando que têm opinião própria e que sabem das coisas. Mas dificilmente se dão conta de que apenas repetem mecanicamente o pensamento de uma provável maioria que tem a pretensão de ser moderna, charmosa e dona da verdade. Nunca refletiram mais detidamente, tampouco avaliaram as conseqüências das idéias que defendem. Alguém disse, muitos repetiram, é tido por certo e ficou assim. Afinal, onde está mesmo o preconceito?


Nota do Editor: Cleber Benvegnú é advogado e escritor.

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