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Sou contra a criação do Conselho Federal de Jornalismo, e ofereço alguns argumentos para quem quiser refletir. Muitos vão dizer que estou divagando, voando na maionese, mas para mim, jornalista é um profissional diferente e assim deve ser considerado. É um artista. Que fique bem claro, somente os bons jornalistas. Alguns, ao contrário, merecem ser chamados de bandidos. Jornalista não é simplesmente um trabalhador como os demais, empregado de carteira assinada, ou um profissional liberal, mas um artista. Um artista da palavra, da escrita, da imagem. Um filósofo, que analisa, pensa, divulga e critica os acontecimentos. Ele é o personagem que provoca mudanças e revoluções, e isto é fazer arte. E a Arte não pode sofrer censura, constrangimento, controle de espécie alguma. Tampouco o artista. Como aceitar controle de um órgão, uma autarquia governamental? Artista cerceado, temeroso, com ameaça de sanções, não produz nada de criativo, diferente, intrigante. Com mordaça na imprensa, não teríamos uma obra chamada Impecheament do Presidente, nem as telas que mostraram os Anões do Orçamento e sequer as pinturas que desnudaram o Juiz Nicolau. Jornalista que se preza tem que ser independente de ideologias, comprometido apenas com seus leitores. Sem ele, a Sociedade Humana estaria pior. Como artista, deve ser livre, voar na imaginação, e como pássaros, bater asas, sem medo de criar, sem medo de errar. E para os excessos cometidos na arte de escrever, falar e exibir, já existe lei, a própria Constituição. Não carece de Conselho. Nota do Editor: Guilherme Cardoso é jornalista.
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