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Opinião
23/12/2004 - 10h04
A importância do capital moral
Ubiratan Jorge Iorio - MSM
 

Nestes tempos de ataques incessantes ao cristianismo e à religião em geral, de que o amontoado de impressionantes besteiras e criminosas mentiras que formam o livro "O Código Da Vinci" é apenas um pálido exemplo da orquestração malévola em nível internacional cujo objetivo é retirar da consciência das pessoas toda e qualquer noção de transcendência, nunca é demais mostrarmos, à guisa de antídoto ou, pelo menos, de convite à reflexão, a importância do conceito de capital moral de uma sociedade, que alguns teólogos (como o sacerdote norte-americano Robert Sirico) vêm desenvolvendo e que serão objeto de traduções por parte do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (Cieep), já a partir de janeiro de 2005.

Os economistas formados nos últimos 50 anos, por influência do importante livro de Irving Fischer (1910), em que o capital é definido como "todo e qualquer ativo que seja capaz de proporcionar um fluxo de rendimentos ao longo do tempo" - definição encampada pelos grandes teóricos da denominada Teoria do Capital Humano, como Theodore Schultz e Gary Becker -, têm sustentado que o capital pode ser desmembrado em três grandes blocos, a saber; o capital físico, o humano e o tecnológico, definidos, respectivamente, como o somatório dos investimentos em máquinas, equipamentos, construções e instalações, a soma do que se investiu em educação e saúde e os gastos aplicados em pesquisa.

A idéia é bastante simples: como o capital é um estoque, formado, portanto, por fluxos, o valor do capital corresponde ao valor descontado no tempo desses fluxos e, quanto mais intensos em quantidade, qualidade e melhor alocados forem esses gastos, maior a sua capacidade de gerar rendas durante a sua vida útil e, portanto, mais elevado é o valor do capital. Não é por outra razão, por exemplo, que um trabalhador com anos de estudo, bem treinado e bem nutrido possui uma capacidade superior de auferir e de gerar rendimentos do que um outro sem estudo, sem treinamento e desnutrido.

Sob o ponto de vista estritamente econômico, portanto, a Teoria do Capital Humano permite-nos definir o próprio crescimento como um processo de acumulação generalizada de capital, ou seja, como uma sucessão ininterrupta, ao longo do tempo, de investimentos em capital físico, humano e tecnológico, que produzirá o efeito de elevar a capacidade produtiva, ano após ano.

Mas existe uma quarta forma de capital - o capital moral - que não aparece nos artigos e livros especializados em Teoria do Crescimento Econômico. Esta quarta dimensão do capital, desprezada - como um dos subprodutos do positivismo em Ciências Sociais - pela maioria dos economistas, é, contudo, tão ou mais importante do que as tradicionais para explicar porque muitas nações ou regiões conseguiram desenvolver suas economias e outras não. Não é a única explicação, mas é importantíssima.

O que vem a ser o capital moral de uma sociedade? Resumindo, é o estoque de hábitos, tradições, usos, costumes, atitudes e ações, fruto da herança acumulada durante gerações na sociedade ocidental, dentro do espírito que é a base de nossa civilização, que é o inestimável legado deixado pelo antigo e pelo Novo Testamento. É aquele conjunto de preceitos básicos que, em última instância, permitem que se possa viver em sociedade, que nos levam a crer no respeito e na solidariedade ao próximo, a aceitar e acatar os direitos consagrados pela Lei Natural, a rejeitar vícios como o da corrupção, a acreditar que o trabalho duro é elemento edificante no que diz respeito à nossa dignidade humana, a amar a vida antes e depois do nascimento, a ter espírito público... É, enfim, o que se costuma denominar de "tradição judaico-cristã".

Deveria parecer mais do que evidente que, para o mesmo estoque de capital físico, humano e tecnológico hipoteticamente existente em dois países, A e B, se o país A possui um estoque de capital moral superior ao do país B, então sua economia e sua sociedade conseguirão atingir padrões de desenvolvimento superiores, tanto quantitativamente como no que se refere à qualidade da vida - o antigo conceito de "bem comum". Deveria ser isto claro, mas o ataque, cuidadosa e sub-repticiamente assestado, contra o Cristianismo e o Judaísmo e que tem o movimento comunista internacional por trás, bombardeia diariamente a mídia com ataques a tudo o que possa sugerir algum respeito aos valores embutidos no capital moral das sociedades.

Quando um ministro do STF manifesta-se, intempestiva e inapropriadamente, em favor dos abortos nos casos de anencefalia, taxando os que se opõem a esse crime de "fundamentalistas religiosos"; quando um livro execrável - porque mentiroso - como o do suposto "código" atribuído a Leonardo da Vinci; quando a nossa "Ministra da Mulher" declara-se favorável ao aborto, alegando que a mulher teria direito ao seu corpo (esquecendo-se que o feto também possui um, mesmo que, ao nascer, viva apenas alguns minutos); quando, na velha e carcomida França e em outros países da Europa, proíbe-se o uso de símbolos religiosos até em escolas; quando se tenta, em todos os cantos, paganizar a festa do Natal, que sempre foi e será uma efeméride religiosa; quando, enfim, se ataca as instituições da família e do matrimônio, se estabelecem cotas disto e daquilo, se joga os homens contra as mulheres, os negros contra os brancos e se faz do sexo uma banalidade e do hedonismo um fim a ser buscado a qualquer preço, é porque o estoque de capital moral está sob intenso ataque, sob as barbas de todos, mas sem que isto seja percebido por parte de quase todos.

As sociedades são formadas por três grandes sistemas, o da economia, o da política e o dos valores éticos e morais. Quando o último se vê ameaçado sob intenso ataque e os respeitos humanos aumentam, pelo medo às represálias, o organismo social acaba sendo inteiramente contaminado.

A sociedade mundial está doente! Cabe aos que respeitam a tradição lutar pela sua cura. Precisamos recuperar o estoque de capital moral, para o que é urgente induzirmos todos a refletirem sobre a sua importância. Sem isso, o certame estará perdido e o combate terá sido mau.


Nota do Editor: Ubiratan Jorge Iorio é Doutor em Economia (EPGE/FGV), Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (Cieep) e Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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