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Ter um filho é uma das mais gratificantes experiências humanas, repleta de expectativas e surpresas. Embora muitas mulheres sonhem com a maternidade, a incorporação de forma intensa na vida profissional tem retardado o casamento, fazendo com que a busca do primeiro filho aconteça numa idade mais avançada. Hoje, a mulher de meia idade, quando acompanhada por profissionais especializados, mantém o privilégio de sua feminilidade, orgulha-se de sua idade e forma física. Entretanto, nesse momento, muitas delas nunca experimentaram a sensação de ser mães ou se já, podem ter o desejo de passar por mais uma experiência. Sabe-se que, a menina quando nasce, tem em seus ovários um número pré-determinado de óvulos, cerca de 2 milhões. Ao chegar à idade fértil, por volta dos 12 ou 13 anos, esta reserva diminui para aproximadamente 300 mil óvulos que poderão ser fecundados durante sua fertilidade. A cada ciclo menstrual, para cada óvulo que atinge a maturidade, mil são perdidos. Se considerarmos que após a primeira menstruação a mulher mantenha ciclos mensais, quando atingir a menopausa, a mulher deverá menstruar cerca de 300 vezes. Fazendo um cálculo simples, sem considerar intervalos de gestações, irregularidades menstruais e outras intercorrências hormonais, até os 40 anos todo esse estoque de 300 mil óvulos estará praticamente esgotado. Portanto, com o passar dos anos, as chances de uma mulher engravidar diminuem consideravelmente. Ainda que remota, a possibilidade de uma gestação natural durante a maturidade ainda é possível. Entretanto, ao atingir a menopausa, essa chance é praticamente nula, uma vez que a reserva de óvulos da mulher está esgotada. Portanto, durante esta fase, a única alternativa de uma mulher que ainda deseja gerar um filho é recorrer aos métodos de fertilização através da doação de óvulos. De acordo com o Dr. Arnaldo Cambiaghi, especialista em fertilidade do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia), em seu livro "Fertilização: Um ato de amor", uma vez que a ciência permita e esteja alinhada aos princípios éticos, legais e morais, é possível recorrer a esses métodos. "Uma mulher que preencha os requisitos básicos de boas condições físicas, uma união sólida e emocionalmente equilibrada e tenha até 55 anos, merece essa rara oportunidade de conceber.", afirma o médico. O direito de procriação está previsto na Declaração Universal dos Direitos do Homem (Paris, 10 de dezembro de 1998), que afirma que além da igualdade e dignidade, qualquer ser humano é livre para fundar uma família. Porém, embora não exista uma definição do ponto de vista ético e legal, é consenso dos principais especialistas afirmar que o limite máximo de idade para uma mulher conceber é por volta dos 55 anos, mesmo que seja possível recorrer à fertilização assistida. Segundo o Dr. Arnaldo, os médicos estabeleceram este limite por acreditarem que, até esta idade o corpo da mulher ainda tem condições de suportar uma gravidez. Mas lembra que isto não é uma regra que deva ser aplicada a todas as mulheres. "Fixar um limite de idade pode ser controverso, uma vez que, algumas mulheres ainda menstruam aos 55 anos e, apesar de ser raríssima e excepcional, existe a possibilidade gravidez nesta fase", explica o especialista. Outra questão que intriga os médicos diz respeito aos riscos envolvidos na gestação de mulheres de meia idade. Na realidade, esta gravidez tem tantas chances de ser bem sucedida quanto a gestação de uma mulher mais jovem. Com o passar dos anos, aumentam as probabilidades do desenvolvimento de hipertensão e diabetes, mas o acompanhamento médico pode ajudar a evitar e até controlar quaisquer complicações que possam surgir. É verdade, porém que, quanto mais velha for a mulher, maiores serão as chances da criança nascer com alterações genéticas. Segundo os dados da Associação de Síndrome de Down, nos Estados Unidos, as chances de um bebê nascer com este problema aumentam de acordo com a idade da mãe. Em mulheres que conceberam até os 25 anos, a ocorrência é de um caso para cada mil nascimentos. Já em gestantes a partir dos 40, esta probabilidade cresce para um caso a cada trinta crianças nascidas. Por isso, o exame de pré-natal é um cuidado essencial, uma vez que pode detectar possíveis anomalias genéticas que o feto possa apresentar. Com exceção deste risco, não há relação entre a idade da mãe e doenças como a cardíaca, respiratória ou vascular no bebê. Estas enfermidades estão relacionadas exclusivamente com a hereditariedade dos pais. Apesar dos entraves existentes, os benefícios provenientes dos avanços das técnicas de fertilização fornecem, às mulheres que atingiram a maturidade, a oportunidade de ter um filho. "O sentimento de procriação é milenar. A humanidade quer se perpetuar e, o instinto de reprodução é inato. Se a natureza impede por algum motivo a realização deste acontecimento, é possível recorrer às técnicas de Reprodução Assistida oferecidas pelos avanços da medicina.", afirma o Dr. Arnaldo Cambiaghi. Nota do Editor: O dr. Arnaldo Cambiaghi é especialista em Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO).
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