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Poucas horas nos separam da mais agradável comemoração do ano: o nascimento de Jesus. Aniversários, formaturas, bodas, reveillon... Não há festa que supere a alegria do Natal. Ora, a cena recordada fala mais de tristeza, do que de alegria: mostra-nos a Virgem Maria, encinta de nove meses, que não tendo conseguido hospedagem em melhor lugar, se dirige a um estábulo, acompanhada de São José. Ali, numa noite fria, junto a um recipiente onde se alimentavam os animais, ela dá à luz o nosso Criador e Redentor. Pobreza e precariedade, situação de extremo abandono compõem o quadro do nascimento de Jesus. Só mesmo Deus poderia ter escolhido para si esta maneira de iniciar sua vida terrena! Estivéssemos nós no lugar de Deus, como programaríamos a vinda do nosso Primogênito? Um palácio real de extrema riqueza; nobres e distintos cortesões; acomodações de luxo exuberante; faustosas cerimônias... Tudo do melhor! Afinal, é Ele que chegou: o Rei dos reis, o Senhor dos senhores! Não... Nada disso agradou ao Rei do Universo: quis Ele nascer na simplicidade paupérrima e sombria da gruta de Belém. De onde vem, então, essa alegria que emana do Natal? Da ceia que comemos? Dos presentes que distribuímos e ganhamos? Simplicidade: eis o segredo! Daí vem a alegria natalina. Avisados pelos anjos, vieram logo os pastores prestar sua adoração. Trouxeram presentes? Talvez: um pouco de alimento, um agasalho... Mas, sobretudo depositaram aos pés do Menino a homenagem sincera de seus corações. Isso é simplicidade. Mais tarde chegaram os magos do Oriente, trazendo incenso, mirra e ouro: presentes simbólicos, expressão de seus nobres sentimentos. Mais uma vez: a simplicidade. Não importa o que tenhamos a oferecer: o que contará para Jesus é a intenção, o desejo que vai no coração. Falamos de "simplicidade", sem confundir esta virtude com "miséria" ou "pauperismo". Neste sentido, um mendigo pode ser arrogante e complexo, ao passo que uma pessoa de muitos bens pode ser simples de coração. É exatamente o ápice dessa harmonia que reluz em Belém: a riqueza eterna de Deus, unida à sua simplicidade infinita, transborda do presépio, banhando de paz e alegria a terra inteira. Nota do Editor: Alexandre Tavares é músico.
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