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"Between stimulus and response, man has the freedom to choose." - Viktor Frankl
O Brasil é um país de gordos. De pobres, mas gordos. O IBGE acaba de divulgar os novos dados, e temos cerca de 40% dos adultos acima do peso ideal, assim como mais de 10% de obesos. Isso se compara a apenas 4% de desnutridos, aproximadamente. Em vez do Fome Zero, talvez devêssemos falar em um programa de Dietas Já! Os socialistas igualitários defendem um mundo mais "justo" socialmente, sem grandes diferenças entre os indivíduos. Eu nunca soube explicar direito o paradoxo de serem justamente os socialistas os mais materialistas, que focam somente na questão financeira. Mas se o erro é de minha interpretação, e não existe de fato tal contradição, então fica mais fácil seguir a linha de "raciocínio" da esquerda estatólatra. Vamos lutar por um mundo mais igual, em todos os sentidos! Afinal, dinheiro não é tudo, e creio que se um capitalista afirma isso, socialista algum irá discordar. Portanto, se não é "justo" um ter muito dinheiro enquanto o outro tem pouco, mesmo que um não tenha tirado do outro, não vejo porque seria justo alguém ter muita gordura enquanto o outro tem pouca. Não entendo, por tal "lógica" igualitária, porque uma mulher deve ser muito bonita enquanto tantas mocréias sofrem com a feiura por aí. Como vamos permitir um mundo tão desigual onde alguns poucos são muito inteligentes enquanto uma massa de mentecaptos forma o restante? Deveria haver algum tipo de imposto para transferir Q.I. de um Einstein para o povão. Se felicidade é o que importa, quem garante que um rico burro e feio é mais feliz que um pobre inteligente e bonito? Vamos urgentemente criar um mundo de inteligência medíocre generalizada, beleza mediana para todos, conta bancária igual independente do valor gerado, e o mesmo peso para todos. O paraíso na Terra, sem diferenças entre os humanos! Definido que o objetivo final é a igualdade plena, resta decidir como executar tal "justiça". Evidentemente, o Estado é a resposta. Ora, o Estado é algo sobrenatural, acima dos homens, quase divino. Nem parece que é formado justamente por homens, e logo os que não foram capazes de competir livremente no mercado, optando pela via política de conquistar votos com discursos românticos e promessas utópicas. Vamos aumentar a burocracia, que nada tem a ver com corrupção, esta sendo fruto, naturalmente, da ganância dos empresários. Vamos criar mais algumas agências estatais, oferecer mais alguns empregos para funcionários públicos (quem sabe não completa 10 milhões?), e controlar um pouco mais a vida dos indivíduos, que logicamente pagarão por isso com mais impostos. O Estado, em nome da "sociedade", operado por uns poucos e poderosos burocratas, irá reformar o indivíduo, resgatar o homem bom corrompido pela sociedade (formada por homens), regular os hábitos dos cidadãos. Um pouco mais de concentração de poder em políticos, assim como impostos maiores, mas quem liga? Tudo pela "justiça social". Voltando ao tema do peso, sugiro a criação da Agência Nacional de Obesidade, a ANO. Ela será responsável pela fiscalização, com poder de multa, sobre a refeição de cada cidadão. Vamos controlar o que o povo come! O professor da USP e consultor do ministério da Saúde, Carlos Augusto Monteiro, defendeu restrições à publicidade de alimentos não saudáveis. "A publicidade tem que ser regulamentada", diz ele. Eu vou além. Vamos banir de vez o McDonald’s do nosso país, pois assim ainda vamos agradar os nacionalistas, fora o combate da obesidade. Quem nos garante que tal rede de sanduíches não passa de um veículo de exploração dos imperialistas ianques? Melhor não correr riscos. Acho que a ANO deveria ficar encarregada de criar o cardápio do brasileiro para seu dia a dia. Um restaurante estatal de saladas pode ser criado, monopolizando a oferta de alimentos para que todos comam as verduras e legumes necessários. Eis a saída perfeita para os estatólatras, que detestam a liberdade individual, até mesmo para "errar", na concepção dos iluminados. Quem tem o direito de ser gordo? Quem pode fumar? Precisamos do governo para reeducar a população, pois os sábios políticos sabem melhor que cada indivíduo o que é melhor para cada um. Caberia à ANO também administrar a transferência das calorias dos gordinhos para os magrelos, assim como já transferimos dinheiro dos ricos para os pobres, deixando uma módica quantia de "pedágio" na trajetória da burocracia corrupta. Nós também usamos o Estado para transferir terras dos seus donos para os baderneiros ilegais do MST ou índios com carros importados. Já usamos Estado para transferir vagas em universidades dos brancos para os "negros", mesmo que sem mérito. Seria injusto não pensarmos nos coitados dos magricelos. Imposto sobre calorias já! Quem foi que teve a estapafúrdia idéia de que um indivíduo tem o direito de ser gordo, comendo o que quiser? Ainda mais enquanto alguns são desnutridos, o que deve ser culpa dos gordos, já que os socialistas nos ensinaram que a riqueza (calorias também) é estática, bastando ser melhor distribuída. Um ultraje o sujeito desfilar com sua proeminente barriga enquanto o vizinho convive com seus ossos à mostra. Vamos lutar por um mundo mais igual. Magros do mundo todo, uni-vos! Nota do Editor: Rodrigo Constantino é economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.
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