20/03/2026  09h11
· Guia 2026     · O Guaruçá     · Cartões-postais     · Webmail     · Ubatuba            · · ·
O Guaruçá - Informação e Cultura
O GUARUÇÁ Índice d'O Guaruçá Colunistas SEÇÕES SERVIÇOS Biorritmo Busca n'O Guaruçá Expediente Home d'O Guaruçá
Acesso ao Sistema
Login
Senha

« Cadastro Gratuito »
SEÇÃO
Opinião
25/12/2004 - 11h11
Ao leitor benévolo
José Nivaldo Cordeiro - MSM
 

Outro dia um leitor, desapontado com as críticas que fiz a um famoso jurista, seu guru, houve por bem me escrever dizendo que eu não deveria me atrever a semelhante empreitada, pois o referido homem era alguém que estava supostamente além da crítica, em face dos seus inumeráveis títulos acadêmicos e sua grande aceitação no meio das letras jurídicas. E disse mais: que eu me declarava cristão e, para quem lia, parecia que isso substituía os títulos que não possuiria.

Respondi dizendo que simplesmente vale o que está escrito e me disponho a analisar o texto de qualquer um que se disponha a publicar, quem quer que seja. Não faço, para dizer como Paulo, acepção das pessoas. Dei-me a ingrata missão de mostrar os ídolos de pés de barro que pululam em nossa imprensa e academia, os muitos impostores, de comentar os fatos do dia de acordo com a minha consciência, de opinar sobre os destinos de nosso País, a cada ação divulgada de governo e de analisar os fatos internacionais de maior relevância. As minhas crônicas têm a impiedade do compromisso irrestrito com a verdade e curriculum nenhum, de quem quer que seja, terá o poder de suavizar o que eu preciso dizer, por imperativo de consciência.

Depois de recebida essa carta fui ver a minha homepage, agora de forma crítica. Dei-me conta de como ela é singela. Ao me descrever, não disse um único dos meus títulos acadêmicos, não falei de minha experiência docente, não relatei as minhas atividades profissionais, não resumi a minha biografia, não disse dos cargos públicos que exerci ao longo do tempo. Não o fiz pelo simples motivo de que isso me pareceu completamente desimportante e fora do lugar. Minha página não é o reduto da minha vaidade. Sumarizei-me no trinômio: "cristão, liberal e democrata". Disse assim tudo de mim, da minha essência, da minha visão de mundo. Quem se dispuser a ler as mal-traçadas apostas à home já saberá o que esperar nessa sumária definição.

Sou aquilo que escrevo, desde o começo. A minha personalidade emerge dos meus escritos. Nada mais importa. O que me qualifica, se é que qualifica, são os textos.

Quanto à questão de me declarar cristão, isso me tem causado muitos enfrentamentos, a começar pelos leitores ateus, amigos ou não. Ser cristão para essa gente virou uma espécie de opróbrio, um epíteto desqualificante, como se só um tolo ou ingênuo pudesse declarar isso em praça pública. A comunidade acadêmica e os bem pensantes amaldiçoaram o cristianismo (assim como as demais religiões), e seu correlato social, o capitalismo. Declarar-me cristão é dizer que estou fora da patota supostamente materialista e revolucionária, que carrego nas costas a responsabilidade de seis milênios de tradição que esses engenheiros da História gostariam de abolir num gesto. Reafirmo: sou cristão e é isso que me situa no espaço e no tempo, é isso que me faz membro de uma comunidade que outrora se chamou de santos, que me faz o menor entre os meus contemporâneos, pois me declarar cristão é dizer de público o quanto sou pequeno e falho diante da grandiosidade ética dos textos sagrados que abracei. Sei que não sou digno diante do Cristo e do Deus Pai Todo Poderoso.

Mas definitivamente sou cristão, pois é isso que me faz gente e dá sentido a minha existência. Sou seguidor do Papa João Paulo II. E isso é tudo.


Nota do Editor: José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP.

PUBLICIDADE
ÚLTIMAS PUBLICAÇÕES SOBRE "OPINIÃO"Índice das publicações sobre "OPINIÃO"
31/12/2022 - 07h25 Pacificação nacional, o objetivo maior
30/12/2022 - 05h39 A destruição das nações
29/12/2022 - 06h35 A salvação pela mão grande do Estado?
28/12/2022 - 06h41 A guinada na privatização do Porto de Santos
27/12/2022 - 07h38 Tecnologia e o sequestro do livre arbítrio humano
26/12/2022 - 07h46 Tudo passa, mas a Nação continua, sempre...
· FALE CONOSCO · ANUNCIE AQUI · TERMOS DE USO ·
Copyright © 1998-2026, UbaWeb. Direitos Reservados.