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Opinião
27/12/2004 - 17h17
Como ficar feio
Miguel Angel Garcia Martinez
 

Na Polinésia, os habitantes construíam suas próprias casas com materiais de seu entorno, viviam de seu próprio contexto natural.

A pouca população era integrada a seu próprio ambiente, pescavam, plantavam e o principal, as pessoas tinham uma característica, eram belas para o assombro dos que os visitavam.

Em Bali, as pessoas pagavam caro para visitar o paraíso, o artesanato era de um valor estimado pela sua criatividade, o povo com seu meio se integrava naturalmente. Mas nestes últimos 30 anos, a globalização os atingiu.

Aumentou a população de forma arrasadora para transformar o artesanato em indústria, deixando a população nativa sem condições de reagir ao consumismo desenfreado, banalizando a cultura de um povo.

Quando chegavam turistas, os nativos lhes ofereciam flores e carinho para seu bem estar, hoje, ao contrário, recebem o turista para oferecer o produto do desespero, fruto do aporte criminoso que trouxe a essas comunidades o pseudo "desenvolvimento" grotesco.

Hoje, as pessoas não são mais belas.

Voando de um extremo ao outro do mundo chegamos ao nosso espaço global, Ubatuba, que voltando não muito atrás no tempo, a referência que tínhamos dos que visitavam a região, era a exaltação das belezas do povo caiçara, os comentários sobre as características deste povo eram que provinham da miscigenação entre os indígenas e os franceses, que aportaram as nossas costas. Olhos azuis, rostos bonitos, estrutura saudável e o respeito na convivência com seu meio ambiente, nunca ninguém respeitou e conservou o meio ambiente tanto como eles.

Ninguém mais respeitou tanto, e valorizou nosso atlântico, escrito com canoas que sulcavam todos os caminhos do mar, para sua sobrevivência. Eram épocas onde se cultivava a amizade e o respeito mútuo, que estabelecia uma paz e solidariedade que hoje desconhecemos, valores perdidos também pela invasão desmedida, dos que usurparam o espaço, com uma cultura oportunista e consumista, destruindo até a beleza do entorno, tanto natural como humano.

Gerou-se uma cultura medíocre que se reflete no comportamento de alguns de nossos "políticos", que se auto convocam como lideranças, que às vezes, lamentavelmente encontram eco na incultura política, o que os leva a ter um convencimento de "triunfo", expondo seus sentimentos revanchistas que os alegra a tal ponto que parecem ter uma maior vocação para hienas que para políticos.

Essa inversão de valores leva a confundir até Deus, como vimos na disputa por ocupar um cargo no Legislativo, uns rezando por seu representante da Igreja Católica e outros orando no Templo da Assembléia pelo seu.

Será que em tal confusão, Deus julgou certo?

Tem um provérbio antológico lembrado desde nossos avós que falava "Só Deus sabe", mas, em Ubatuba nos nossos dias nem Deus sabe.

Para um bom entendedor um pingo é letra!

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