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Opinião
28/12/2004 - 19h10
O Natal e a mídia
Mariana Czekalski
 

25 de dezembro, época de Natal, pinheirinho, presentes fazem parte da tradição... Mas será que este é o verdadeiro sentido da data?

A mídia de modo geral, assim como o comércio, usa o período para obter lucro e estimular o consumo. Então você questiona: é possível resgatar a essência do nascimento de Cristo, sem se perder em símbolos superficiais e metáforas?

A temática religiosa tem sido um prato cheio para a imprensa por ser muito rentável. Especulações sobre Cristo dão audiência na televisão, propagandas e muito marketing exploram a festividade natalina nos jornais e revistas.

Segundo uma pesquisa científica divulgada pela revista Superinteressante, 2002, não há evidências de que o nascimento de Jesus seja em dezembro, não se sabe ao certo o mês. A data foi fixada pela igreja no ano de 525, para coincidir com festas pagãs do Oriente e de Roma. De acordo com o estudo ainda, Jesus não nasceu em Belém, na Judéia, mas em Nazaré, na Galiléia, norte de Israel. Para a maioria dos pesquisadores, os reis magos, o presépio e a estrela de Belém são invenções dos evangelistas para identificar a vinda do Messias, que seria anunciado no Antigo Testamento.

Polêmicas à parte..., sem dúvida, é um desafio tentar explicar o Natal e o maior Profeta da História. Mas, não é fácil apreciar matérias jornalísticas criativas que saibam contextualizar a figura de Cristo, os ensinamentos dele e aplicam seus gestos à realidade do homem moderno, deixando de lado o sensacionalismo hipócrita. Se os meios de comunicação divulgassem em linguagem coloquial, simples, que Cristo é um fenômeno que sustenta a ideologia cristã e permeia todos os mecanismos da sociedade ocidental, descrevessem sua relação com a democracia, humanismo e principalmente fraternidade, teríamos um Natal mais bem servido no que diz respeito à qualidade informativa. É fundamental que a mídia não esqueça de observar a importância da fé cristã, que sobrevive em uma sociedade imediatista, descartável e cética.

Parece que Papai Noel e troca de presentes é secundário comparado com a celebração de um mito como Cristo.


Nota do Editor: Mariana Czekalski é jornalista e escritora.

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