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O seguinte conto cheio da sabedoria popular circula pela internet: enquanto costurava uma ferida na mão de um velho gari (que tinha sido causada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o gari começaram a conversar sobre a Marta (a Suplicy, ou suplício???), a Martaxa fica melhor. E o velho gari disse: "Bom, o senhor sabe, a Marta é uma ’tartaruga num poste’." Sem saber o que o gari queria dizer, o médico perguntou o que era uma ’tartaruga num poste’. O velho gari respondeu: "Quando o senhor vai indo por uma estradinha e vê um poste de cerca de arame farpado com uma tartaruga equilibrando em cima dele, isto é uma ’tartaruga num poste’." O velho gari olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação: "Você sabe que ela não subiu lá sozinha; você sabe que ela não deveria estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá, então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá". Quando ouvimos nosso Clodovil, em repetida ofensiva, na televisão, qualificando (ou desqualificando?) o prefeito de Ubatuba pelos desmandos que se vêm observando, em reprise do mesmo filme já encenado em sua gestão anterior, lembramo-nos da "tartaruga no poste". Esta figura com o simbolismo atribuído, retrata muito bem os reais responsáveis pelos desmandos que sofremos, conhecidos pela cidade afora, muito bem apontados por Clodovil. Com o sentimentalismo exacerbado que lhe é peculiar, Clodovil não destoa de todos aqueles que se revoltam contra tudo que esta administração representa: desleixo geral, imoralidade, corrupção, abuso de bens públicos, empreguismo desenfreado, demagogia, incompetência, irresponsabilidade, cinismo e por aí afora. A propósito, lembramo-nos do triste quadro pertinente aos reais responsáveis pelo retorno desse indivíduo ao Executivo Municipal. Foi a culminância de sua campanha política nos estúdios da TV Bandeirantes, em São José dos Campos, quando dos debates entre os candidatos. Uma claque de pessoas maduras, tidas como sensatas e de respeito, trazida de Ubatuba, iniciou tamanha balbúrdia, gritaria e agitação do lado de fora do estúdio, que obrigou os seguranças do shopping, onde o estúdio se localizava, a ameaçar retirar todos de lá pelo desrespeito ao público, aos lojistas e aos clientes do shopping. Sentado em um dos bancos da alameda, bem em frente ao estúdio, pensamos conosco mesmo. Que nobres interesses poderia ter essa gente para, de maneira tão deseducada, tão desmerecedora de nossa cidade, tão deselegante, tão pouco civilizada, mostrar-se tão ávida pelo sucesso de um candidato de reconhecido mau desempenho e má reputação? Hoje, mais conturbados ficamos ao saber que esse indivíduo, referindo-se à Prefeitura que almejava alcançar, disse ao seu colega de Faculdade (UNITAU) que, em lá chegando, realizaria a maior roubalheira de todos os seus antecessores. Prometeu e cumpriu (ele próprio alardeia sua condição abastada sempre que o teor alcóolico lhe sobe um pouco). Pior, sua afirmação indica saber não estar sozinho. Com a palavra, pois, os atingidos. Afinal de contas, quem rouba um tostão, ou um bilhão, não encontra em nosso vernáculo distinção alguma. É isto, Clodovil, não adianta vociferar contra o alcaide. Como a tartaruga no poste, ele não subiu lá sozinho; sabemos que ele não deveria estar lá; sabemos que ele não vai conseguir fazer algo significativo enquanto estiver lá; então, tudo que temos a fazer é ajudá-lo a descer de lá. Permita-nos, pois, aconselhá-lo a usar melhor seus recursos, instruindo nosso povo a deixar de colocar "tartarugas nos postes". Nossa "tartaruga" não é raridade, ao contrário. A maior corrupção no Brasil, hoje, situa-se nos municípios, nas prefeituras, nos prefeitos - "tartarugas colocadas no cimo dos postes", por cada um de seus eleitores.
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