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SEÇÃO
Crônicas
02/01/2005 - 07h47
Jovem é assassinado após 12 horas de tortura
Artur de Carvalho - Agência Carta Maior
 

Já que está todo mundo falando desse filme aí, do Mel Gibson, vou meter o meu bedelho também, mesmo sem ter assistido. Aliás, acho que esse foi o filme mais comentado da história por pessoas que ainda não o assistiram. Mais um recorde, para um filme que promete bater todos eles, seja em bilheteria, em público, em polêmica e provavelmente em Oscars.

Bem, pra começar eu gostaria de esclarecer que eu não tenho absolutamente nada contra a Igreja Católica. Contra nenhuma Igreja, aliás. Acho, inclusive, que a religião é extremamente necessária para a nossa sobrevivência como espécie. Se não fosse a religião, provavelmente a humanidade já teria se aniquilado num banho de sangue e barbarismo muito maior do que esse em que já estamos metidos, o que poderia não ser um mau negócio para o universo como um todo, mas seria simplesmente desastroso para os meus planos de abrir um restaurante em Poços de Caldas assim que eu me aposentar.

Eu só achei meio estranho que os católicos venham agora com esse papo de que o filme "A Paixão de Cristo" seja muito violento e coisa e tal. O Homem (agá maiúsculo, agá maiúsculo) foi crucificado, pombas. Queriam o quê? E, segundo todos os relatos da época, foi também espancado, chicoteado, enfiaram espinhos na cabeça dele, atiraram lanças. E ainda deram umas cuspidas. Bem, vocês hão de convir comigo que, se alguém quiser fazer um filme sobre a morte de Jesus Cristo razoavelmente fidedigno, fica muito difícil realizar a coisa sem ser meio violento. Afinal, um prego trespassando o pulso de um homem não é uma cena fácil de se ver, ainda mais se a gente está com a boca cheia de pipoca e coca-cola.

Além do mais, eu acho mesmo que foi a própria Igreja Católica que escolheu esse caminho da, digamos, violência exibicionista, ao escolher como seu maior símbolo um crucifixo. Afinal, o novo e o velho testamento estão cheios de símbolos mais legais e nem por isso menos fortes. Tem o arbusto em chamas. A pombinha. A maçã (que a Apple Computer acabou adotando, com grande sucesso aliás). Mas não. A Igreja Católica resolveu adotar como marca registrada um jovem crucificado. Oras, convenhamos: tem símbolo mais esquisito que um jovem crucificado para uma Igreja que prega a paz de espírito e o amor universal? Vocês não acham que nossos espíritos se elevariam muito mais se, ao entrar numa igreja no domingo de manhã, encontrássemos lá em cima do altar uma manjedoura com um bebezinho recém nascido, ao invés de encontrar o corpo de um rapaz de 33 anos, morto após uma horrível sessão de tortura?

Não é à toa que a Igreja Universal vem crescendo tanto nos últimos anos. A decoração dos templos evangélicos é um pouco minimalista demais para o meu gosto, mas pelo menos eles não exibem estátuas de cadáveres ensangüentados para seus seguidores.

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