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A maioria dos problemas de visão pode ter solução com cirurgias e lentes especiais.
A necessidade de esconder os olhos atrás de lentes e armações nem sempre é encarada de forma positiva por quem precisa, mas hoje os avanços alcançados pela oftalmologia praticamente transformaram os óculos num acessório desnecessário. No Brasil, nos últimos 10 anos, 500 mil brasileiros se submeteram a algum tipo de cirurgia refrativa (de correção de graus), mas aos que ainda se ressentem de enfrentar a sala cirúrgica, existem ainda opções modernas e eficazes de tratar problemas como miopia e astigmatismo.
As lentes de contato ainda são as mais utilizadas por aqueles que querem se livrar dos óculos, sem cirurgia. É uma solução rápida e se aplica a qualquer tipo de problema, mas apesar dos avanços quanto ao designer e materiais utilizados, ainda exigem dos usuários cuidados especiais de manutenção e nem sempre proporcionam boa adaptação. No entanto, se o problema for miopia moderada e baixa de até 4,5 graus associadas ou não a astigmatismo de até 1,5 grau é possível fazer uso da Ortoceratologia, um tratamento revolucionário que trata das deformações da córnea durante o sono. "A ortoceratologia é a solução para pacientes cuja cirurgia refrativa tenha sido contra-indicada. Isso inclui crianças pessoas com grau crescente ou com córnea de pouca espessura", explica o oftalmologista Leonardo Alan Rocha, responsável pelo setor de Ortoceratologia do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB). Ortoceratologia: sono restaurador A ortoceratologia consiste na utilização de dispositivos óticos, semelhantes a lentes de contato, que atuam sobre a córnea durante a noite, moldando-a de forma a eliminar temporariamente os distúrbios visuais. Os dispositivos exercem uma pressão negativa sobre a córnea, aplainando sua área central. O efeito do tratamento é reversível e é obtido progressivamente. Pacientes que utilizam a ortoceratologia podem ficar até 60 horas enxergando normalmente, sem a necessidade de óculos ou de lentes de contato. O tratamento é contra-indicado para pacientes que sofreram cirurgias refrativas e ficaram com grau residual e nem portadores de ceratocones ou outra doenças da córnea. "Muitas pessoas consideram os óculos e lentes uma espécie de muleta. É um empecilho para quem pratica esportes, gosta de praia ou mesmo para quem quer compor um visual mais apurado para sair à noite", lembra o médico Canrobert Oliveira, um dos primeiros oftalmologistas a introduzir no Brasil as cirurgias refrativas. Cirurgias refrativas personalizadas: mais rápidas e seguras Com o advento do laser nas cirurgias refrativas, que foi introduzido no país há mais de 10 anos, o sonho de livrar-se dos óculos tornou-se mais palpável. O método lasik modifica a curvatura corneana para eliminar o problema de grau. No entanto, hoje, por intermédio da cirurgia personalizada, é possível corrigir inclusive várias outras imperfeições oculares mínimas que, reunidas, podem comprometer a visão. A cirurgia é guiada pela análise de frente de onda (wavefront), considerado o laser de nova geração. Um equipamento chamado de aberrômetro detecta não apenas a miopia, a hipermetropia ou astigmatismo, mas as imperfeições peculiares de cada paciente. O mapa desenhado pelo aberrômetro é que guia o laser no momento da cirurgia. "É uma correção personalizada que possibilita ao olho humano uma visão mais aguçada e elimina a possibilidade de aberrações alta ordem adquiridas em cirurgias refrativas com o laser convencional", explica Canrobert. As cirurgias refrativas só não são indicadas em pacientes com descolamento de retina, córneas muito finas ou excessivamente flexíveis, Glaucoma com pressão elevada, doenças externas (degenerações e distrofias corneanas) ou graus elevados, superiores a 7 no caso de miopia e 5, no caso de hipermetropia. "Entre os pacientes, 95% atingem uma faixa de grau próxima ao normal. Objetivo principal é tornar o paciente mais independente possível dos óculos, mas 30% dos que procuram as cirurgias refrativas não preenchem os requisitos para realizá-las. Lentes intra-oculares: solução para os casos de alta miopia Para uma parte dessa parcela, existe uma outra solução: o implante de lentes intra-oculares, ideal para pacientes com graus elevados. A cirurgia dura entre 10 a 15 minutos e é realizada com anestesia local. "O pós-operatório é tranqüilo e indolor. No dia seguinte o paciente nota a melhora da visão", afirma o médico Leonardo Akaishi, especialista do HOB em implantes de lentes intra-oculares. A utilização dessas lentes tem melhorado bastante a vida de pacientes com problemas diversos. Entre as mais utilizadas estão às lentes Restor, que proporcionam uma melhor visão de perto, intermediária e de longe. A lente atua como uma substituta do cristalino e, além disso, reduz os fenômenos fóticos como "glare" e halos, que aparecem normalmente à noite. Entre os que optam pela Restor, 80% não têm necessidade de continuar usando óculos após a cirurgia. Outras opções, como o implante intra-estronal, podem ajudar quem tem deformações na córnea e não pode realizar cirurgias refrativas como é o caso dos portadores de ceratocones (afinamento exagerado da porção central da córnea). Os anéis tornam as paredes das córneas mais resistentes e parece que inibem a deformação da córnea, melhorando a visão ou possibilitando o uso de lentes de contato ou óculos.
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