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Crônicas
03/01/2005 - 16h00
Exploração de Trabalho Infantil
Douglas Mondo
 

Dados da UNICEF - BRASIL - Em nosso país, o percentual de crianças entre 10 e 15 anos que só trabalham e não estudam é de 2,2% do total de crianças nesta faixa etária - isto representa algo em torno de 3.500.000 de crianças exploradas por adultos inescrupulosos. É o chamado ato doloso da exploração infantil.

Quando tomamos um cafezinho e o adoçamos, ou compramos uma roupa de algodão, estamos participando, sem saber, do ato da exploração infantil, pois a mão-de-obra no corte da cana ou da colheita de algodão é feita em grande parte por essas crianças.

O corte da cana-de-açúcar é feito por meninos e a colheita de algodão por meninas. Os produtores de algodão as preferem, já que suas mãos são menores e por isso mesmo, melhores para a colheita da boneca de algodão. E não urinam nos sacos de algodão para aumentar o peso.

Portanto, todos nós fazemos parte da corrente criminosa de exploração do trabalho infantil no Brasil, pois usamos o produto final dessas colheitas. No mínimo, concorremos com a modalidade culposa para que isto continue.

Pense sobre isto ao adoçar um suco, um cafezinho ou vestir uma roupa de algodão.


Bóia-fria
Douglas Mondo

Passeando um dia pelo interior do país,
deparei-me com um imenso canavial.
Vi um menino cortando cana,
era negrinho, da cor da cana queimada.

Era uma criança miúda, doze ou treze anos,
ligada com a pureza pelo cordão umbilical.
Mãos hábeis que manipulavam
o podão com uma força sem igual.

Cada golpe forte, brutal, trazia a ganância do usineiro
que explorava mão-de-obra infantil,
como se fosse normal,
como é pelo interior do Brasil.

Num segundo eterno, a tragédia fez do menino uma vítima fatal,
o podão tão amigo, companheiro,
virou seu inimigo e ceifou-lhe a inocência
de uma infância angelical.

Virou um aleijado bóia-fria,
agora um escravo da produção de açúcar
que na manhã adoça meu café,
bebo e jogo o resto na pia.

Epílogo

Todo dia,
jogamos um pouquinho do menino bóia-fria
pelo sujo ralo da pia.


Nota do Editor: Douglas Mondo é advogado, escritor e presidente da Tv Japi Mais.
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