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Dados da UNICEF - BRASIL - Em nosso país, o percentual de crianças entre 10 e 15 anos que só trabalham e não estudam é de 2,2% do total de crianças nesta faixa etária - isto representa algo em torno de 3.500.000 de crianças exploradas por adultos inescrupulosos. É o chamado ato doloso da exploração infantil. Quando tomamos um cafezinho e o adoçamos, ou compramos uma roupa de algodão, estamos participando, sem saber, do ato da exploração infantil, pois a mão-de-obra no corte da cana ou da colheita de algodão é feita em grande parte por essas crianças. O corte da cana-de-açúcar é feito por meninos e a colheita de algodão por meninas. Os produtores de algodão as preferem, já que suas mãos são menores e por isso mesmo, melhores para a colheita da boneca de algodão. E não urinam nos sacos de algodão para aumentar o peso. Portanto, todos nós fazemos parte da corrente criminosa de exploração do trabalho infantil no Brasil, pois usamos o produto final dessas colheitas. No mínimo, concorremos com a modalidade culposa para que isto continue. Pense sobre isto ao adoçar um suco, um cafezinho ou vestir uma roupa de algodão. Bóia-fria Douglas Mondo
Passeando um dia pelo interior do país, deparei-me com um imenso canavial. Vi um menino cortando cana, era negrinho, da cor da cana queimada. Era uma criança miúda, doze ou treze anos, ligada com a pureza pelo cordão umbilical. Mãos hábeis que manipulavam o podão com uma força sem igual. Cada golpe forte, brutal, trazia a ganância do usineiro que explorava mão-de-obra infantil, como se fosse normal, como é pelo interior do Brasil. Num segundo eterno, a tragédia fez do menino uma vítima fatal, o podão tão amigo, companheiro, virou seu inimigo e ceifou-lhe a inocência de uma infância angelical. Virou um aleijado bóia-fria, agora um escravo da produção de açúcar que na manhã adoça meu café, bebo e jogo o resto na pia. Epílogo Todo dia, jogamos um pouquinho do menino bóia-fria pelo sujo ralo da pia.
Nota do Editor: Douglas Mondo é advogado, escritor e presidente da Tv Japi Mais.
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