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Opinião
03/01/2005 - 20h01
O sotão
Jacornélio M. Gonzaga - MSM
 

Passei as últimas semanas preocupado em arrumar uma solução para o atual grande problema da Nação brasileira: como os juízes, historiadores, advogados, jornalistas, desembargadores, enfim, todos aqueles preocupados na "manutenção do conhecimento histórico do período da ditadura" farão para ler a papelada arquivada nos porões?

Minha apreensão percorre uma via que vai do mofo ao tempo necessário para a realização da leitura. Segundo informações de um jornalista, "os relatórios dos espiões do regime militar estão armazenados numa salinha de cerca de 15 m². Há no recinto, recostados numa parede ao fundo, 11 arquivos de metal. Cada um tem oito gavetas estreitas. Ali, naquelas 88 gavetas, guardam-se cerca de 240 mil microfilmes retangulares. Somando-se todos os documentos microfilmados chega-se a cerca de 4 milhões de páginas escritas. Um bom leitor talvez consiga digerir algo como cem folhas por dia. Nesse ritmo, levaria 40 mil dias para examinar todos os relatórios. Abandonando todo o serviço de sua jurisdição e arregaçando as mangas inclusive aos sábados e domingos, o juiz Alberto Jorge teria diversão para os próximos 111 anos."

Conduzindo o foco para a solução e sabedor de que a documentação tem que ser lida até 31 de dezembro de 2006, comecei a divagar: poderíamos aproveitar os aprovados nos 40 mil empregos públicos federais prometidos pelo atual governo, para que, em seu primeiro dia de trabalho, realizassem a leitura da documentação.

Pensei em utilizar os 39 detentores de cartão de crédito no Palácio do Planalto, aqueles mesmos que tiveram os seus limites de gastos aumentado de 400 mil para um milhão de reais. Não daria certo, pois seriam necessários 2 anos e 9 meses para a leitura, extrapolando o período concedido.

Poder-se-ia convocar 222 elementos da Força Nacional de Segurança Pública que, encimados pela tampa vermelha de suas boinas, em seis meses dariam conta do recado.

Lendo as diversas publicações a respeito, verifiquei que minhas preocupações não tinham fundamento, pois o nosso governo já criou uma comissão de leitura que, composta por autoridades totalmente compromissadas com a verdade, tais como os senhores ministros da Casa Civil, José Dirceu; da Justiça, Márcio Thomaz Bastos; da Advocacia-Geral da União, Álvaro Ribeiro; e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda.

Agora sim! Por intermédio desses ledores, vamos saber a verdade sobre a tentativa de agressão perpetrada pelo Darcy Rodrigues, ex-sargento do Exército, oriundo da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), quando do I Congresso da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-P), em setembro de 1969, na aprazível cidade de Teresópolis, contra a então militante Dilma Vana Rousseff Linhares ("Estela", "Luiza", "Patrícia", "Wanda"), vinda do Comando de Libertação Nacional (COLINA). Se não fosse a intervenção do Carlos Franklin Paixão de Araújo...

Ao chegarem no "baú" Araguaia, deverão descobrir a razão da "saída da área de operações", em abril de 1972, do Sr João Amazonas e da Srª Elza de Lima Monerat, ambos dirigentes do PC do B. Os velhos e caridosos guerrilheiros chegaram na área de guerrilha no início de 1968 (antes do "famigerado" Ato Institucional n° 5 - 13 Dez 1968) e dela se retiraram, após terem conduzido à região cerca de setenta jovens, inebriados pelo canto da sereia stalinista de criação de um Exército Popular de Libertação que transformaria o Brasil numa República Democrática Popular, aos moldes da desenvolvida Albânia.

O domingo, 12 de dezembro de 2004, marcou o início de outra semana preocupante. Minhas elucubrações me levavam ao vislumbre de uma situação de desconforto imposta ao Sr Ministro José Dirceu. Seria certo as pessoas tomarem conhecimento, pela mídia, da verdadeira razão de sua volta, somente em abril de 1975, depois que a luta armada, praticamente, já havia terminado?

À noite, meus temores aumentaram. No programa FANTÁSTICO, mais uma revelação dos porões, aliás, do sótão! A Força Aérea, por operar no espaço aéreo, não tem porão. É no sótão que eles guardam os seus estrambóticos arquivos. Pela voz do Cid Moreira, cheguei a pensar que o Mister M, sentado na pua, tivesse revelado os arquivos contidos no sótão.

Aliviado, constatei que em nenhum documento "salvado do incêndio" constava o nome do global Franklin de Souza Martins ("Waldir", "Francisco", "Miguel", "Rogério", "Comprido", "Grande", "Nilson", "Lula"), portanto, nada havia sobre suas peripécias perpetradas entre abril e dezembro de 1969, período no qual conseguiu: ser eleito para a Direção Geral do MR-8, participar do seqüestro do embaixador dos EUA e fugir do Brasil para o paraíso cubano, a fim de fazer um cursinho de guerrilha.

Embora a TV GLOBO, com seus ativos "focas" e "historiadores" de plantão, não tenha mais comentado o assunto, tomei conhecimento do que, verdadeiramente, ocorreu. Uma Instituição que oferece cursos esotéricos, o Colégio de Ocultismo Indiano Sino-Árabe (C.O.I.S.A.) - filial Salvador - foi a responsável pelo assombroso fato.

Durante uma aula experimental da C.O.I.S.A., visando, exclusivamente, ao resgate histórico do período da "ditadura", os alunos fizeram uma regressão, vasculharam os arquivos do DOPS e do SNI e, na tentativa de materializar tais documentos na Base Aérea de Salvador, acabaram queimando alguns. Não houve nenhuma intenção de dizer que os milicos estavam queimando arquivos.

Com tantas preocupações e armações em torno da "abertura dos arquivos", lembro que a frase premonitória "A morte tocará com suas asas aquele que desrespeitar o faraó" está esculpida na tumba de Tutankamon e não na entrada dos porões, mas a preocupação com o mofo é válida, pois, segundo o jornalista Philipp Vandenberg, que estudou a maldição por muitos anos, as tumbas dos Faraós eram lugares perfeitos para a procriação de bactérias.

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